UN Publicação ANO XIV Revolução Mercado Mitra 1939Este mercado foi inaugurado em 1940 aquando das comemorações do duplo centenário da fundação e restauração de Portugal.
Na entrada oposta a esta porta (foto acima) está a inscrição do MERCADO DE HORTA E MITRA, mas deveria ser, MERCADO DA HORTA DA MITRA ou DO BISPO pois o sítio onde está o mercado, por volta de 1871, ainda era assim denominado (horta da Mitra ou do Bispo). Nas redondezas havia outras hortas, campos ou povoações: Horta da Companhia (da Companhia Holandesa das Índias Orientais), Horta de Volong, Campo ou Povoação de S. Lázaro etc. A zona, em cantonense, é conhecida como “Tchèok-Tchâi-Un – 雀子園” que significa Jardim dos Passarinhos. (1)
No Arquivo da Administração Civil achámos um documento referente ao ano de 1871, pelo qual vemos que “Francisco de Paula Noronha se dizia proprietário da Horta da Mitra ou do Bispo, pedindo ao governo uma indemnização pela expropriação dessa propriedade numa extensão de 1163 metros. Este documento diz que uma provisão do senado, datada de 1778, fazia à Mitra mercê dum terreno baldio; um alvará de 1810, dizia que a Mitra vendera esse terreno a Francisco António Pereira Tovar por 4 000 patacas…(…)
Em 1871, aparece como proprietário da Horta da Mitra ou do Bispo, Francisco de Paula Noronha mas não se vê bem como o terreno foi parar às suas mãos.“ (2)
“Ora a história refere a um alvará de 1810, que dizia ter a Mitra vendido esse terreno a Francisco António Pereira Tovar por 4000 patacas. Mas, em 17 de Janeiro de 1840, o delegado do Procurador Régio oficiou ao Senado: “A remessa dos inclusos papéis e requerimentos de D. Ignácia de Payva para saber as demarcações levou o delegado João Baptista Gomes a não descobrir o título de posse da Propriedade denominada a Horta da Mitra”. (2)
A horta da Mitra, um bairro imundo situado no coração da cidade, ao lado do hospital civil e sotoposto ao hospital militar, vizinho de habitações d´europeus sob os alicerces do novo bairro Tomaz Rosa, onde as ruas são alinhadas e empedradas, onde as casas são bem arejadas, e bem expostas, onde há um mercado municipal em que se respeitam as prescrições sanitárias, onde finalmente os habitantes, pela maior parte chineses, se veem forçados a transigir com a higiene europeia, que não é bem a higiene do Celeste Império” (3)
NOTA 1 – Sobre o Bairro da Horta da Mitra, aconselho a leitura do artigo de José Simões Morais para a Revista Macau de 15/02/2014 n.º 36
http://www.revistamacau.com/2014/02/15/o-bairro-da-horta-da-mitra/
e sobre o mercado, do blogue «Orient´Adicta»: “Às compras no Mercado Municipal Horta e Mitra” in
http://oriente-adicta.blogspot.pt/2010/06/as-compras-no-mercado-municipal-horta-e.html
NOTA 2“05-02-1865 – Grande incêndio na povoação da Horta da Mitra, em que 200 barracas de chineses foram devoradas pelas chamas Provavelmente acidente provocado por panchões do Ano Novo Chinês” (SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, 3.º Volume)
(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/09/03/lugares-tcheok-tchai-un-%E9%9B%80%E5%AD%90%E5%9C%92-jardim-de-passari-nhos/
(2) TEIXEIRA, P. Manuel – Toponímia de Macau, Volume I.
(3) COSTA, Peregrino da – Medicina Portuguesa no Extremo Oriente, pp. 213-14.