Ana d´Araújo e Barros, Irmãs da mulher de Simão Vicente Roza, Thia destes Rozas e também Irmãs da May de Diogo de Carvalho alias o gago que morreo em Bom Porto de quem ainda heide fallar, quando casou com Vicente da Matta, Manoel Vicente Roza lhe deo em dotte o Navio St.ª Anna, e como ficasse Viuva em 12 de Septembro do anno passado ficou com o Navio, e fosse ainda menina se enamorou de Vicente Ferreira de Carvalho e com elle se casou.
Manoel Vicente Roza não agradando deste casamento pertendeo tirar-lhe o Navio disendo que elle o tinha dado tão somente em q.º Vicente da Matta fosse vivo e logo que elle morreo lhe pertencia. O Carvalho desia que não porque elle Rosa o tinha dado em dotte, e como elle tinha casado com a Viuva lhe pertencia pelo mesmo previlégio do dotte pois que sua mulher fora dotada, e como o dito Roza não quis estar por estas razões pôs a cauza em Juíso contra o referido Carvalho o que correndo os seus termos, o Juís Ordinário José Coelho, cunhado de João Ribeiro dêo sentença a favor do reo.
Indignado Manoel Vicente de ter sahido contra si, não só ameaçou o Juís mas lhe dêo 17 paes d´ouro para que revogasse a Sentença a qual já elle Roza tinha posto embargos. O Juís não só pelo medo, mas movido pelo interesse recebeo os Embargos e revogou a Sentença, isto nos fins de Novembro. O Carvalho vendo-se desapossado do seu Navio se valeo do Governador, contando-lhe todo o facto e a injustiça do Juís pelo interesse de 17 paes d´ouro.
O Governador emediatamente mandou pôr huma Guarda a bordo do navio com ordem para que Manoel Vicente da Roza não tivesse authoridade alguma nelle, e que visto a Justiça ser suspeita se fosse descidir a cauza em Goa e assim ficou elle Carvalho desembaraçado para consertar o Navio.
BRAGA, Jack M. – A Voz do Passado. Instituto Cultural de Macau, 1987, 78 p.

Manuel Vicente Rosa nasceu em Tancos (Santarém). Chegou a Macau por volta de 1708 e casou com Isabel da Cruz que faleceu sem deixar descendência em 1738 (sepultada no adro da Igreja de S. Domingo) e deixando um legado à confraria de N. Sr.ª dos Remédios. (1)
Como nunca teve filhos e era muito rico, mandou vir da sua terra natal dois sobrinhos, Simão Vicente Rosa, que chegou a Macau a 3 de Outubro de 1738 e António Vicente Rosa, que deve ter chegado na mesma altura.
Faleceu em 1751.
Em 28-06-1719 – Manuel Vicente Rosa, Pascoal da Rosa e Manuel Leite Pereira foram recebidos em Siu-Heng pelo Prefeito, que lhes entregou os presentes do Imperador destinados ao Senado. Não receberam chapa, como esperavam, limitando-se o Prefeito a informar que o Imperador mandava dizer que vivessem os portugueses de Macau quietos e sossegados.
Em 1726; Manuel Vicente Rosa deu 726 taeis para as despesas da embaixada de Alexandre Metelo de Sousa Meneses ao Imperador da China.
Possuía uma chalupa, chamada S. José, que naufragou entre os anos de 1735 e 1745, tendo-se perdido toda a gente a bordo, com excepção de 4 pessoas (2)
O Ouvidor Manuel Vicente Rosa é também conhecido pelo episódios que teve com o futuro Governador (nomeado em 1717), António Albuquerque Coelho (este afirmara, em 1714, «ser inimigo declarado seu já de cinco anos a esta parte») que o mandou prender em 1712. Por sua vez Manuel Vicente Rosa mandou encarcerá-lo na Fortaleza da Guia em 22 de Setembro de 1714.

(1) 15-12-1821 – Foram introduzidas na administração da Fazenda $ 10.000 provenientes do resto dos legados deixados por Maria Marim e Isabel da Cruz, por ordem do juiz das capelas, Conselheiro Miguel de Arriaga Brum da Silveira, a juros de 7% ao ano
Deixou ainda, um legado de mil taeis n para dotar as órfãs pobres a fim de se poderem casar. (2)
(2) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau Século XVIII, Volume 2. Direcção dos Serviços de Educação e Juventude, 2.ª Edição, Macau, 1997, 216 p. (ISBN 972-8091-09-5).