O funeral do 1.º cabo de infantaria, António Maria d´Oliveira Leite que faleceu em combate com os piratas em Coloane em 1910, realizou-se na quarta-feira, 13 de Julho, saindo do Hospital Militar para o Cemitério de S. Miguel.
Incorporaram-se no préstito fúnebre o governador Eduardo Marques, com o seu ajudante, tenente João Pedro Ruela, o Chefe de Estado-maior, Cor. Fernando José Rodrigues, vários oficiais e soldados.
O extinto era primo do 1.º sargento Manuel d´Oliveira Leite que tomou parte no combate do Cuamato (1) e que esteve em Macau no tempo do governador José Augusto Alves Roçadas (1908-1909)

O governador Eduardo Augusto Marques ordenou ao tenente Albino Ribas da Silva nomeado interinamente comandante da Taipa e Coloane e administrador das mesmas ilhas (com residência no comando da Taipa) que fosse a Coloane capturar os piratas e libertar os reféns. Para esse efeito, partiu de Macau, às 2h. a. m. do dia 12, o tenente Aguiar com um reforço de 45 soldados de infantaria; ambas as forças desembarcaram em Coloane às 4 h a. m.
Há duas versões sobre a morte do cabo relatados nos jornais.
A do jornal “A Verdade” do dia 14 de Julho de 1910:
Depois do desembarque em Coloane, as forças de Ribas e Aguiar dirigiram-se a uma povoação, onde, segundo as informações prestadas, estavam os reféns, ou parte deles, mas encontraram-na quase deserta pois ali estavam, ao que nos contam, apenas um homem e uma mulher china com duas crianças. Como esse homem lhes dissesse que os piratas se haviam refugiado numa das colinas, para lá se dirigiram; mas, ao passar a certa distância de um buraco que parecia indicar a existência dalgum covil, e querendo um cabo aproximar-se para o examinar, partiu dali uma detonação, e pobre cabo recebeu num dos lados uma bala que se lhe internou nos rins, vindo a falecer à noite no Hospital de S. Januário…

Outra versão do jornal ”Vida Nova” de 17 de Julho de 1910, o tiro que matou o 1.º cabo de infantaria António Maria d´Oliveira Leite partiu dum buraco duma casa da povoação. Relata este jornal “Por denúncia certamente de algum partidário dos piratas, estes souberam da aproximação das nossas tropas, e tanto que evacuaram, aparentemente, a vila, a ponto de não se ter encontrado senão um velho, uma mulher e uma criança, chinas, por ventura sentinelas postas pelos próprios piratas. Como não vissem ninguém, as nossa tropas foram avançando em reconhecimento, mas, dados que foram alguns passos além da rua que fica por detrás da casa de fantan, d´um buraco d´um dos pardieiros d´aquele sítio partiu um tiro de espingarda que atingiu o abdómen, um cabo d´infantaria por nome Leite, que pesquisava o local, vindo o desditoso moço a falecer em Macau, no Hospital de S. Januário para onde fôra transportado...”

(1) Os cuamatos são indígenas que habitam o sul da República de Angola. As chamadas campanhas do Cuamato foram acções desenvolvidas (denominadas Pacificação do Sul de Angola) pelos militares portugueses no ano de 1907.

Informações recolhidas de TEIXEIRA, P. Manuel – Toponímia de Macau, Volume II – Ruas com Nomes de Pessoas. Instituto Cultural de Macau, 1997, 560 p., ISBN-972-35-0244-5

Sobre os acontecimentos decorridos na Ilha de Coloane no combate à pirataria, ver anteriores “posts”:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/06/21/noticia-de-21-de-junho-de-1952-visita-a-ilha-de-coloane-pelo-ministro-do-ultramar/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/07/19/noticia-de-19-de-julho-de-1954-comemora-cao-em-coloane/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/05/05/noticias-5-de-maio-de-1910/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/09/09/historia-de-piratas-i-ilhas-de-piratas/