Notícia de 1 de Março de 1926: “Faleceu o professor liceal, distinto advogado e admirável poeta, Dr. Camilo de Almeida Pessanha (Coimbra 07-09-1867), autor da «Clepsidra» que residiu em Macau durante muitos anos”  (1)

Camilo PessanhaCamilo Pessanha em Lisboa em 1916 (2) 

Em campa rasa, a tampa de granito
Afonta-o no brasão de fidalguia,
No nome (com Doutor e com d’Almeida) escrito
Com erros de ortografia.

Quem roubou as correntes que o cercavam de ferro?
(Quieto o coração, no temor das algemas.)
Quem poluiu e rasgou o lençol do desterro
Que lhe envolveu, no enterro, os ossos e os poemas?

Ei-lo, já não ali, liberto da prisão,
Por fim a deslizar (assim outrora o quis)
Sem ruído, a sumir-se como um verme, no chão.
E vê treva em um país
Perdido de segredo e solidão.

                   António Manuel Couto Viana (3)

(1) GOMES, Luís Gonzaga – Efemérides da História de Macau. Notícias de Macau, 1954, 267 p.
(2) Postal da Colecção «CAMILO PESSANHA no 70º aniversário da publicação do “CLEPSIDRA”». Edição do Instituto Português do Oriente, Macau, 1990.
(3) Retirado do blogue:
http://www.jornaldepoesia.jor.br/couto07.html

Referências anteriores do poeta António M. Couto Viana em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/antonio-couto-viana/
Sobre Camilo Pessanha, ver:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/camilo-pessanha/