Camilo Pessanha HK 1895Camilo Pessanha em Hong Kong cerca de 1895 (1)

Um aroma subtil. Um lume. Um fumo leve.
Um delicado ritual.
O impulso breve que se descreve
Quase indiscreto, quase sensual.

A música interior apenas murmurada.
A luz difusa. Trémulas imagens.
Ondas de lua. Exílio. A flor despetalada.
Viagens.

Onde singra o navio sombreado de tédio?
Oscila. O servedouro de uma esteira.
A súbita emoção. O clarim do assédio
Desenrola a bandeira.

O ópio envolve o sonho num afago.
Já tudo tão distante! Tão inútil! Tão vago!

António Manuel Couto Viana

Retirado do blogue:
http://www.jornaldepoesia.jor.br/couto06.html
Referências anteriores do poeta António M. Couto Viana em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/antonio-couto-viana/
Sobre Camilo Pessanha, ver: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/camilo-pessanha/

(1) Postal da Colecção «CAMILO PESSANHA no 70º aniversário da publicação do “CLEPSIDRA”». Edição do Instituto Português do Oriente, Macau, 1990.