O Leal Senado reunido em sessão no dia 5 de Fevereiro de 1842, pronunciou-se contra a ideia de demolir o Convento e Igreja de S. Francisco, que tinha contígua a ela o «Campo Santo de Pública Devoção». A ideia partiu do Governador Adrião Acácio da Silveira Pinto, (1) que já andava desde 1839 a diligenciar nesse sentido, para edificar aí o palacete residencial. (2)

No entanto, tal veio a acontecer,   com a autorização do Ministério da Marinha e Ultramar, a 30 de Março de 1861, iniciou-se a demolição do Convento, para no seu lugar, construir-se o quartel para o Batalhão de Macau (Forte de S. Francisco) finalizado só em 1866 (3)

Macau Cidade do Nome de Deus na China Franciscan Church MacaoFranciscan Church Macao” (4)

 (O convento/mosteiro de S. Francisco à esquerda e no fundo, os degraus para a igreja de S. Francisco)

Comparar com uma pintura (lápis sobre papel, sem data) de George Chinnery (1774 – 1852) que chegou a Macau em 1825.

IMAGENS DE CHINNERY - Igreja de S. Francisco

(1) O Major de Infantaria Adrião Acácio da Silveira Pinto foi Governador e Capitão Geral de Macau de 23-02-1837 a 02-10-1843. Em 10-10-1843 (já como conselheiro) foi nomeado Embaixador de Portugal, para tratar com os Plenipotenciários Chineses sobre a existência política de Macau. Partiu de Macau para Cantão a 27-10-1843 para negociar com os comissários chineses (Vice-Rei Ki-Yin). Faleceu em Lisboa, no posto de Marechal em Campo, aos 23 de Março de 1868.
(2) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau Século XIX, Volume 3. Direcção dos Serviços de Educação e Juventude, Macau, 1995, 467 p (ISBN 972-8091-10-9).
(3) Embora esteja referenciada por Luís Gonzaga Gomes no seu «Efemérides da História de Macau», a data de 30-03-1851 para a autorização da demolição do convento, Beatriz Basto da Silva na sua «Cronologia da História de Macau, 3.º Volume» tem duas entradas para a mesma notícia: 30-03-1851 e 30-03-1861. Esta última data será a mais correcta, pois é mencionado que o desenho do quartel e do forte de S. Francisco, no lugar do antigo edifício, é da autoria de José Rodrigues Coelho do Amaral (militar do ramo da engenharia – 1808-1873) e que também dirigiu as obras. O mesmo tinha sido Governador de Angola de 1854 a 1860 e foi depois Governador de Macau de 22-06-1863 a 25-10-1866.
Mais informações sobre o Convento/Igreja e o governador Coelho do Amaral em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jose-m-coelho-de-amaral/
(4) Publiquei este mesmo desenho, retirado do livro do Padre Teixeira em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/01/03/noticia-de-3-de-janeiro-de-1864-festejos-em-macau/
Esta retirei-a do livro de Eduardo Brazão; está referenciada como de 1831, da colecçção de Duarte de Sousa (ver em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/01/24/leitura-macau-cidade-do-nome-de-deus-na-china-nao-ha-outra-mais-leal/
A colecção do bibliófilo e livreiro António Alberto Marinho Duarte de Sousa (1896-1950) foi adquirida pelo Estado Português em 1951 e depositada, como património nacional, na antiga Biblioteca do Secretariado Nacional de Informação, no Palácio Foz (actualmente inactiva). Foi posteriormente transferida para a Biblioteca Nacional. É constituída por 2500 obras dos séculos XVI a XX.
(http://www.gmcs.pt/palaciofoz/pt/biblioteca).