Cartas da China I

Cartas da China IILivro de Francisco de Carvalho e Rêgo, publicado em Macau, no ano de 1949 e impresso na Imprensa Nacional. (1)

Cartas da China IIITraz na 1.ª página, um ex-libris : Francisco Penajoia.
Francisco Penajóia é o pseudónimo que o autor utilizou em alguns artigos na imprensa, como por exemplo, sobre “Camilo Pessanha”  (2)

Ao estilo de correspondência, são 18 cartas escritas por Francisco de Carvalho e Rêgo  e endereçadas À Exma. Senhora Dona Isabel Gorjão de Almeida, a quem o autor dedica o livro.

Cartas da China IV

São cartas onde o autor pretende ir contando  o muito que tenho de dizer-lhe, muito que será recolhido do que tenho lido, do que me têm contado e do que tenho observado”  (p. 13), nessa cidade (Macau), onde estava há cerca de quarenta anos.
Na 1.ª carta, anota interessantes opiniões sobre Camilo Pessanha e Manuel Mendes:
Quem há em Portugal, por exemplo, como ilustre sinólogo, como profundo conhecedor dos mais recônditos meandros da China?
Ora Camilo Pessanha conhecia mal a língua chinesa, quer escrita quer falada, sendo rudimentaríssimos os seus conhecimentos de tudo quanto é chinês.
Que deixou Camilo Pessanha escrito a China?
Nada, ou quase nada.
Com o auxílio de um intérprete-sinólogo que, por sua vez, trabalhava auxiliado por um chinês, mestre na língua de Confúncio, ouviu a narração de algumas elegias e deixou as traduções temperadas por uns restos da sua veia poética, já gasta e descolorida.
Mas, é assim, de resto, que trabalha a grande maioria dos sinólogos, que não consegue jamais visível independência num idioma, que parece  impenetrável… (…)”
“…Eu conheci em Macau, muito de perto, Camilo Pessanha e Manuel da Silva Mendes, dois estudiosos, que se interessaram por coisas da China.
O primeiro foi um sonhador, um fantasista, que paradoxalmente viveu a China em todo o seu materialismo, valor que se perdeu em conversas, aliás interessantíssimas, nada, ou quase nada, deixando à posteridade.
O segundo, mais profundo em conhecimentos que o primeiro, escondia uma alma de artista num corpo estruturalmente plebeu, temperando a sua prosa, sempre correcta, com humerismo, que chega a tocar as raias da irreverência.
Trabalhei com ambos e a ambos dei a minha modesta colaboração, sendo ainda hoje admirador de segundo qa quem presto aqui sentida homenagem à sua memória, lembrando com saudade e reconhecimento, as salutares lições que dele recebi.
Deixou uma obra pequena, obra que poderia ter sido maior, se falsos amigos, vencidos pela inveja, não tivessem faltado às suas promessas.
Para estes vai o meu maior desprezo… (…)

NOTA: Francisco Ernesto Palmeira de Carvalho e Rêgo, era o 5.º filho do Dr. José Maria Ernesto de Carvalho e Rêgo (1860-1917- bacharel em Direito em 1882, veio para Macau em 1908, como magistrado. Depois, delegado do Procurador da Coroa e Fazenda, Procurador Administrativo dos Negócios Sínicos, e após aposentação, advogado) e de Joana Alexandrina Palmeira de Carvalho e Rêgo (1860-1934).
Francisco veio para Macau com 10 anos de idade, em 1908, com os pais e irmãos (o irmão mais velho: José de Conceição Ernesto Palmeira de Carvalho e Rêgo, autor do livro “Figuras d´Outros Tempos”) (3).

(1) RÊGO, Francisco de Carvalho e – Cartas da China. Macau, 1949.
(2) PENAJÓIA, Francisco – Camilo Pessanha in Homenagem a Camilo Pessanha / org., pref. e notas de Daniel Pires. Lisboa, Instituto Português do Oriente; Macau, Instituto Cultural, 1990. – p. 40-44.
(3) RÊGO, José de Carvalho e – Figuras d´Outros Tempos. Instituto Cultural de Macau, 1994, 408 p., ISBN-972-35-0144-9.

Obras de Francisco de Carvalho e Rêgo:
O caso do tesouro do templo de A-Ma. Macau, Imprensa Nacional, 1949, 87 p. (Novela)
Da virtude da mulher. Macau, Imprensa Nacional, 1949, 219 p. (Ensaio)
Momentos musicais. Macau, Imprensa Nacional de Macau, 1949, 121 p. (Artes/Música). Sobre este livro, consultar o artigo de António Alexandre Bispo em:
http://www.revista.akademie-brasil-europa.org/CM03-02.htm
Macau. Macau, Imprensa Nacional, 1950, 13 p. c/ fotos  (História)
Lendas e contos da velha China. Macau, Imprensa Nacional, 1950, 120 p. (Uso e Costumes /China)
Mui Fá: versos chineses. Macau Imprensa Nacional, 1951, 175 p. (Poesia)