“Na Avenida Almeida Ribeiro, artéria principal desta cidade, no quarteirão que começa ao fim da Rua Central, construiu, um chinês rico, uma vivenda de rés-do-chão e três andares, onde vivia com toda a sua família, isto é, mulheres, filhos, genros, noras, etc.
Resolveu o governo da Colónia construir, do outro lado da Avenida e mesmo em frente da vivenda do chinês, o edifício dos Correios e Telégrafos, de rés-do-chão e dois andares, o que fez com que deixassem de soprar, como até aí sopravam, os ventos propícios, que tinham sido considerados aquando da construção da casa do chinês.
Além disso, o referido edifício dos Correios e Telégrafos passou a ensombrar, de modo não recomendável, a vivenda, que tinha sido construída, segundo todos os preceitos de bom augúrio.
Demolir a vivenda não era prática aconselhável, assim como demolir o edifício dos Correios e Telégrafos não seria de modo algum impraticável.
Que fez então o chinês?
Consultou o adivinho e o problema foi resolvido do seguinte modo:
Na fachada da vivenda foi colocado um espelho côncavo, que reflecte todo o edifício dos Correios e Telégrafos invertido e em proporções minúsculas.
Deste modo, o edifício dos Correios e Telégrafos foi reduzido a proporções mínimas, insignificantes e deixou de dar má sombra e de impedir que soprassem, como convém, os ventos propícios.” (1)

(1) RÊGO, Francisco de Carvalho e – Cartas da China. Macau, 1949.