A propósito da passagem de mais um ano da morte do poeta, amanhã dia 21 de Dezembro (1), transcrevo doutro poeta (2) estes versos.

BOCAGE

Naquele ano fatal da Grande Perdição
Que deflagrou, no mundo, un nouvel âge,
Chegou aqui surgido de Cantão,
Pra onde o arrebatara o furor de um tufão,
Poeta Bocage.

Achou a terra decadente e estranha
E a gente ora mendiga ora devassa.
E enquanto, num soneto, a satiriza, entoa
Meigas estrofes à “magnânima Saldanha”
(Marília, ao celebrar-lhe a formusura e a graça)
E um hino de lisonjas à “preclara Hulhoa”

Quase um ano inteiro (quase uma vida inteira!)
Por Macau bocejou e vagueou à toa.
Mas, por mercê de Lázaro Ferreira,
Um dia, enfim, pôde enrolar a esteira
E voltar a Lisboa.
A cidade, porém, não lhe esqueceu o vulto
(Esqueceu o soneto que é justo, sem ser mau):
Hoje, uma rua, rende-lhe culto.
– É quanto o poeta tem em Macau.

António Manuel Couto Viana (2)

(1)   Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765 – 1805). Ver em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/manuel-barbosa-do-bocage/
(2)   Retirado do blogue:
http://www.jornaldepoesia.jor.br/couto05.html
 
Referências anteriores do poeta António M. Couto Viana em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/antonio-couto-viana/