É uma das mias importantes (a indústria da pesca) se não a mais importante desta Colónia.
Ocupando milhares de homens e representando um volume comercial de perto de 5,5 milhões de patacas, esta indústria faz de Macau o principal centro piscatório do Sul da China.
Maior poderia ser a sua importância, se não fôra a pirataria, que flagela a zona marítima compreendida, entre os deltas de Si- Kiang e Chu-Kiang, precisamente a região mais abundante em peixe. Quantas vezes as pobres embarcações de pesca são abordadas por bandos de piratas armados que as despojam de tudo que possa transformar-se em dinheiro!

                    BOLETIM AGC 1929 n.º 25 Junco IMacau na década de 20 (século XX) – Embarcação chinesa (lorcha)

Frequentemente travam-se lutas renhidas entre atacantes e atacados, mas em geral fica vencido o pescador, dada a sua inferioridade em meios de defesa e ataque.
O caos administrativo chinês também contribui poderosamente para a diminuição dos rendimentos desta indústria, em virtude das exacções violentas e exorbitantes por parte das autoridades chinesas, que, a título de contribuição, obrigam as embarcações a pagar pesados impostos pelo pescado e o sal que transportam para a salga do peixe. Contudo, apesar destas causas que entravam um maior e possível desenvolvimento da indústria piscatória em Macau, o facto é que ela constitui, ainda assim, uma das principais fontes de riqueza da Colónia e uma receita importante para o cofre da Fazenda Provincial.

BOLETIM AGC 1929 n.º 25 Junco IIMacau na década de 20 (século XX) – Embarcação chinesa (lorcha)

Ao fundo vê-se o Quartel S. Francisco e a colina de S. Jerónimo e mais ao longe o Farol da Guia /Colina da Guia.

Quando contemplamos essas centenas de lorchas que coalham os mares das vizinhanças de Macau, ou percorremos a rua marginal do Pôrto Interior, onde fervilha numerosa população marítima, talvez não pensemos que estes modestos obreiros representam um valioso factor da nossa economia. A verdade, porém, é que esta classe, pela vida árdua a que se entrega, pelos perigos a que está sujeita e pelas riquezas que nos trás, é merecedora de toda a estima e simpatia, e digna de maior protecção por parte dos poderes públicos.

Artigo de César Gomes do Amaral, capitão dos portos de Macau, publicado no Anuário de Macau 1928 (?) e reproduzido no Boletim da Agência Geral das Colónias, n.º 53, Novembro de 1929.