Nunca é demais recordar que este ano se comemora os 500 anos da chegada de Jorge Álvares à costa sudeste da China, no mar da China Meridional, com um carregamento de pimenta da Samatra destinado a Cantão (1) (2)
Em 1513, quinze anos após a chegada de Vasco da Gama à Índia, Jorge Álvares partiu de Malaca para a China num pequeno barco e ancorava na ilha de Tamão, (3) a qual segundo documentos portugueses, figurava como a Ilha do Comércio.
Ali ergueu o navegador um padrão, uma coluna de pedra encimada por uma cruz e pelas armas de Portugal, para marcar a descoberta duma nova terra pelos Portugueses.
Alguns meses depois, Jorge Álvares, dava sepultura aos restos mortais de um dos seus filhos no sopé daquele monumento. Este foi o primeiro português a quem o solo da China ofereceu morada para o derradeiro descanso.
Em Abril ou Maio de 1514, Jorge Álvares regressou da China a Malaca.

MAPA ÁSIA 1571Atlas de 1571 (4)

Sabe-se que Jorge Álvares, em 17 de Junho de 1517, saiu de Malaca com destino à China, acompanhando Fernão Peres de Andrade (enviado pelo Governador da Índia, Lopo Soares de Albergaria) e o boticário e naturalista Tomé Pires, à China como primeiro embaixador da Coroa Portuguesa à corte do Imperador do Sol Nascente.

 MONUMENTO Joge Alvares 1960Monumento a Jorge Álvares (cerca 1960)

Em Janeiro de 1520 Jorge Álvares distinguiu-se na defesa da cidade de Malaca.
Jorge Álvares atingiu por várias vezes as costas da China, mas em 1521 (8 de Julho), acometido de doença, desembarcou de novo em Tamão, onde morreu, amparado nos braços do seu inseparável companheiro Duarte Coelho, e foi sepultado junto dos restos mortais de seu extremoso filho.

 MONUMENTO Joge Alvares 1980Monumento a Jorge Álvares( cerca 1980)

NOTA: sobre Jorge Álvares, ver:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jorge-alvares/ 
EXP 500 Anos Portugal-China(1) Aconselho uma visita (muito interessante) à exposição “Portugal – China: 500 Anos” – uma mostra evocativa do longo historial das relações luso-chinesas, na Biblioteca Nacional de Portugal, em Lisboa. A mostra estará presente até ao dia 18 de Janeiro de 2014.

http://www.bnportugal.pt/index.php?option=com_content&view=article&id=865%3Amostra–portugal-e
 
(2) A 6 de Janeiro de 1514, o capitão de Malaca, Rui de Brito Patalim, escreveu a D. Manuel, comunicando ter enviado um junco à China, carregado de pimenta, na companhia doutros juncos chineses. Com esses juncos seguiram cinco portugueses, dois dos quais no junco pertencente ao Rei de Portugal, sendo um feitor e outro escrivão.
A 7 de Janeiro de 1514, Tomé Pires escreveu de Malaca, comunicando ao Rei de Portugal que um junco de sua Majestade, comandado por Jorge Álvares, seguiu com outro para a China, a fim de buscar mercadorias, sendo as despesas partilhadas em partes iguais enter El-Rei e Baemdara Nina Chatu.
(3) “Pequena ilha adjacente à costa sudeste da China, hoje chamada de Lin Teng
GOMES, Luís Gonzaga – Páginas da História de Macau. Instituto Internacional de macau, 2010, 357 p. ISBN: 978-99937-45-38-9

Onde situar Tamau, Tamang, Tamão, Tun-Mun? Hoje é Lin-Tin, ou será entre Lin-Tin e a cidade de Nam-Tau, ou simplesmente, um porto da ilha de Sanchoão”
SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau Séculos XVI-XVII, Volume 1. Direcção dos Serviços de Educação e Juventude, 2.ª Edição, Macau, 1997198 p (ISBN 972-8091-08-7).
(4) Atlas do cartógrafo português Fernão (ou Fernando) Vaz Dourado (c. 1520 – c. 1580).
http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/f/f9/Atlas_de_Fernao_Vaz_Dourado_%28Asia%29.jpg?us
http://pt.wikipedia.org/wiki/Fern%C3%A3o_Vaz_Dourado