No dia 2 de Novembro de 1854, foi inaugurado o Cemitério de S. Miguel Arcanjo. Antes da construção deste cemitério, os mortos católicos eram enterrados, nas paredes arruinadas da Igreja de S. Paulo. (1) (2)
Em 14 de Outubro de 1852, por o cemitério de S. Paulo se encontrar muito arruinado, ameaçando desmoronamento das paredes que ainda se encontravam de pé, e onde se enterravam os mortos, ordenou o Governador Isidoro Francisco Guimarães um empréstimo, por subscrição pública, para a construção dum novo cemitério a ser construído fora da porta da cidade (1) (3)
No entanto, há informação que no lugar onde está o cemitério (“que ficava para os lados do Bairro de S. Lázaro”), em 1849, já se enterrava católicos chineses. E a partir de 1852 uma postura do Leal Senado veio fundir com o de S. Miguel (3)
A Benção do Campo Santo de S. Miguel Arcanjo foi feita pelo Bispo D. Jerónimo da Mata,(4) sendo dois dias depois sepultado o primeiro cadáver (Zenóbia Maria Luísa de Freitas).

Cemitério de S. MiguelA capela foi construída somente em 1875.

Em 8 de Fevereiro de 1877, o Cemitério de S. Paulo foi considerado propriedade do Estado (estava na posse da Câmara Municipal desde 24 de Agosto de 1874) e classificada como nacional. Os jazigos e restos mortais que ainda aí se encontravam foram removidos para o cemitério de S. Miguel. (5)

O Regulamento do Cemitério «São Miguel Arcanjo» foi publicado em 29-06-1925.

Do livro de Amadeu Gomes de Araújo (6) retiro:
“…inaugurado, em plena época do liberalismo, o novo cemitério acabou por crescerá sombra do romantismo, tornando-se uma réplica do Cemitério dos Prazeres em Lisboa, com pequenas nuances orientais …(…). Sendo o romantismo a componente cultural do liberalismo, os arranjos, a decoração e a estatutária que lentamente foram invadindo aquele campo santo, acabaram por reflectir uma postura romântica perante a morte. O mármore é um elemento fundamental. Os vivos rejeitam a morte, e, porque desejam anular os efeitos putrefactivos da terra, transformaram os cemitérios em enormes aglomerados de mármore.
Embora a maior parte das estátuas e outros símbolos tenham sido produzidos numa fábrica de mármores de Hong Kong, a simbólica do cemitério é ocidental e cristã, ocupando o crucifixo um lugar de relevo.”
(1)   GOMES, Luís Gonzaga – Efemérides da História de Macau. Notícias de Macau, 1954, 267 p.
(2)   SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau Século XIX, Volume 3. Direcção dos Serviços de Educação e Juventude, Macau, 1995, 467 p (ISBN 972-8091-10-9)
(3)   A Portaria Provincial N.º 95, de 14-10-1952, manda abrir subscrição para um empréstimo destinado a construir um cemitério e regula a forma de o realizar.(2)
(4)   D. Jerónimo José da Mata (1804 – 1865) foi bispo de Diocese de Macau de 28-03.1845 a 25-09-1862. Após concluir os estudos teológicos, em Macau, foi ordenado presbítero em 19.12.1829.Foi professor no Seminário de S. José. Em 17-06-1844 foi nomeado bispo-coadjutor de Macau. D. Jerónimo da Mata desempenhou um papel fundamental na reconstrução da Sé de Macau que ele próprio consagrou em 14 de Fevereiro de 1850 e na ampliação do Recolhimento de Santa Rosa de Lima Reorganizou também o Seminário de S. José.
http://www.gcatholic.org/dioceses/diocese/maca1.htm”>http://www.gcatholic.org/dioceses/diocese/maca1.htm
http://pt.wikipedia.org/wiki/Jer%C3%B3nimo_Jos%C3%A9_da_Mata
(5)   A Portaria Provincial n.º 13, de 08-02- 1877, manda considerar propriedade do Estado, classificada como nacional, o Cemitério de S. Paulo, indevidamente entregue à Câmara Municipal; e dão-se instruções para a remoção dos jazigos e restos mortais ali existentes para o Cemitério de S. Miguel (2)
(6)   ARAÚJO, Amadeu Gomes de – Diálogos em Bronze, Memórias de Macau. Livros do Oriente, 2001, 168 p. + |4|, ISBN 972-9418-88-8

NOTA: A foto foi retirada de http://www.iacm.gov.mo/p/facility/introduction/grave

Pode-se ver fotos do Cemitério de S. Miguel Arcanjo e da Capela de S. Miguel no blogue “Orient´Adicta”:
http://oriente-adicta.blogspot.pt/2013/05/o-cemiterio-de-s-miguel-arcanjo-e.html