“Cabe-me a honra de enviar a V. Exa., a relação das praças que composeram a força que em 16 do corrente capturou nove piratas na Ilha de D. João, e cujos prestantes serviços foram registados na ordem à Força Armada N.º 34 de 17 deste mez. Foram 8 loucanes (1) e as seguintes praças.

Depósito do Monte-Cabo n.º 97 Almiro Escolástico dos Remédios.

Guarda Policia de Macau:

Cabo n.º 20 Armandio Ferreira

Soldado n.º 60 Joaquim Domingos

Soldado n.º 69 Julio Ferreira

Soldado n.º 72 José Joaquim da Costa

Soldado n.º 78 António Gomes”

Estas praças foram louvadas, tendo o Vice-Rei de Cantão condecorado o Cabo Almiro. A pirataria campeava infrene no mar e nas ilhas; e eram tão frequentes os pedidos de socorro às nossas forças que se poderia encher um volume só com os incidentes relatados nos Arquivos da Taipa. Nem poupavam os lázaros; inúmeras vezes assaltaram os dois Lazaretos de Ká Hó e Pac-Sá-Lan, roubaram as roupas dessa pobre gente, as rações de géneros e de arroz e todo o dinheiro que encontravam.” (2)

 (1) Loucanes – assim denominados os “marujos chineses”. Creio que essa denominação foi-se “extinguindo” do quadro permanente do pessoal assalariado dos Serviços de Marinha, no princípio da década de 70.

Pode-se ver no Decreto n.º 511/70 (rectificações) do Diário da República de 30-10-1970:

E) Macau – Art. 8.º 1. No quadro permanente do pessoal assalariado dos Serviços de Marinha são criados um lugar de pedreiro auxiliar e um de carpinteiro auxiliar, incluídos na letra Y do § 1.º do artigo 91.º do Estatuto do Funcionalismo Ultramarino.

2. Transitam para os lugares criados por este artigo, sem quaisquer formalidades, os dois loucanes que vêm desempenhando as referidas funções.

3. São extintos no mesmo quadro três lugares de loucanes.”

O termo “loucane” foi também usado para “os agentes ou membros macaenses ligados à procuradoria dos negócios chineses”. Ver trabalho publicado na Ethnologie Française 1999/2 de João de Pina-Cabral:Trafic humain à Macao. Les compatibilités équivoques de la communication interculturelle” (3)

(2) TEIXEIRA, Padre Manuel – Taipa e Coloane. Direcção dos Serviços de Educação e Cultura, Macau, 1981, 190 p.

(3) http://pina-cabral.org/PDFs/116_Trafic_humain_Macao.pdf