Após umas férias, retomo o meu dia a dia. Hoje com a leitura dum trecho sobre Macau, retirado dum livro publicado em Angola (1969),  pela Mocidade Portuguesa.

“Vendo-se o governo chinês obrigado a lutar contra os piratas, que exerciam as maiores violências sobre os habitantes da costa marítima, pediu o auxílio de Portugal para a repressão da pirataria.
Os Portugueses, mostrando mais uma vez o seu espírito guerreiro, conseguiram dissolver as quadrilhas de malfeitores.
Como reconhecimento pelos serviços prestados, concedeu-nos o governo chinês a idade e porto de Macau, a «Pérola do Oriente». Reinava então D. João III.
A cidade é muito pitoresca. As suas ruas, as alamedas, os velhos templos, os parques e os jardins, o bairro chinês, a mistura dos costumes asiáticos com os europeus oferecem a sensação do imprevisto aos visitantes.
O encanto da Ásia combina-se de um modo estranho e harmonioso com as velhas tradições portuguesas.
Ao percorremos as ruas, que ostentam nomes veneráveis para nós, Portugueses, as alamedas e o porto, uma impressão nos domina – o orgulho de vermos no Extremo-Oriente os sinais indeléveis duma raça que pela civilização se bateu e sacrificou como nenhuma outra e cujas energias continuam a revelar-se e a impor-nos como um povo colonizador.
Nós...Somos Nós Praia Grande
Até meados do século XIX, conservou Macau uma importância excepcional nos mares do Sol nascente. Mas a soberania e a posse desta província foram completamente asseguradas a Portugal pela China, por um tratado assinado em 1887. Desde então Macau desenvolveu-se Macau desenvolveu-se extraordinariamente e é hoje uma cidade florescente.
Se Macau é a menos extensa das províncias ultramarinas, é certamente a mais bela de todas.
Está situada na ilha de Hianchangue (1) entre a ribeira de Cantão e a ilha de Oeste, ao sul da China, a 40 milhas de Hong-Kong e a 86 de Cantão.
Consiste numa pequena península ligada ao território chinês por um pequeno istmo, onde se encontra a «Porta do Cerco».
Tendo como dependências as pequenas ilhas da Taipa e Coloane, a superfície total de Macau é de 14,05 quilómetros quadrados e a sua população de mais de 300 mil.
A mais pequena Província Portuguesa, pelas suas pitorescas belezas naturais mais parece uma princesa encantada, com duas aias majestosas – Taipa e Coloane.”  (2)

(1) Heung-san (香山; mandarin pinyin: Xiang Shan; cantonense jyutping: hoeng1 saan1). Hoje conhecida como  Zhongshan.
(2) TORRES, A. Pinheiro – Macau in SIMÕES, Antero – Nós… Somos Todos Nós (Antologia “Portugalidade”). Edição dos Serviços de Publicações da M. P. da Divisão de Angola, 2.ª edição, 1969, 418 p.