“Em que ano subi esta colina,
Repousei nesta gruta e respirei
Brandas auras? Da pátria e do meu rei,
Aqui, sublime, sublimei a sina?

Que fama do meu vulto peregrina
Na voz destas paragens, e da lei
Da morte me liberta? Onde enlacei
A amizade do jau e o amor de Dina?

Deixei sinais na areia, no arvoredo?
Quem me ocultou de mim como um segredo?
-Até o longínquo China navegou…

Aqui cheguei? Daqui parti? E quando?
Quem salvou do naufrágio miserando
Aquele que não sei se fui, mas sou?”

António Couto Viana (1)

NOTA: António Manuel Couto Viana (nome chinês: Wai Pok Man – Homem de Cultura)
“A convite do Instituto Cultural de Macau, António Manuel Couto Viana esteve em Macau entre 1986-88, a fim de ministrar o curso de artes dramáticas . Encenou em Macau várias peças entre elas “Camões e o Jau”, tendo dado contributo inestimável – ainda hoje não devidamente valorizado à restruturação do teatro em Macau.” (2)
(1) VIANA, António Manuel Couto – Até ao Longínquo China Navegou“. Instituto Cultural de Macau, Colecção Poetas de Macau n.º 4, 1991, 90 p. Prémio Camilo Pessanha (IPOR 1992)
(2) VIANA, António Manuel Couto – Homem do Teatro. Exposição e Catálogo (textos de António M C Viana e Paula Anjos). Câmara Municipal de Viana de Castelo, 2013, 181 p , ICBN 978-972-588-236-8
Sobre este autor , ver anteriores “posts”:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/05/29/poesia-no-farol-da-guia/   
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