Informa a «Lusitânia»: (1)

A bordo do paquete «Colonial», da Companhia Colonial de Navegação, chegou à Colónia mais um contingente  de tropas que foi festivamente saudado pela população de Macau, enchendo de justificado orgulho os portugueses aqui residentes e de admiração os chineses que vivem na cidade. Uns e outros viram desfilar as tropas portuguesas com satisfação e como uma garantia de que será mantida a paz e a ordem neste pedaço de terra portuguesa.

BGC 1949 Tropas Expedicionárias IAo longo da Avenida Marginal (2) formaram as tropas expedicionárias de Angola, para marchar para os seus quarteis

 As tropas chegadas a bordo daquele paquete desfilaram na Avenida Marginal depois de desembarque, a que assistiram os srs. comandante Albano de Oliveira e coronel Cotta de Morais, respectivamente governador geral e comandante militar de Macau.

 BGC 1949 Tropas Expedicionárias II“A Avenida Almeida Ribeiro ficou coberta de água, circulando sómente os «Brennes» do exército para patrulhar a cidade”

            No mesmo dia, à tarde, os Srs. capitão-tenente José Mendes da Rocha Zagalo, capitão de bandeira das tropas expedicionárias, e capitão Júlio Moniz da Maia, comandante do «Colonial», estiveram no palácio do Governo a apresentar cumprimentos ao Sr. comandante Albano de Oliveira (3)

(1) Notícia referente à chegada a Macau, no dia 9 de Abril de 1949, do Corpo Expedicionário, para proteger o território da situação que se vivia na China (guerra civil que terminaria em 1 de Outubro de 1949 com a fundação da República Popular da China na sequência da vitória de Mao Zedong). Foi nesse ano que as Ilhas da Montanha e de D. João foram ocupadas pelos nacionalistas chineses.
O Corpo era constituído por Unidades vindas da Metrópole, de Angola e da Guiné. Nesse dia chegaram:
– Companhia de Engenharia.
– Bataria Independente de Artilharia Anti-aérea de 7,5 cm
– Companhia Indígena de Caçadores da Guiné e
– 1.ª Bataria de Artilharia Ligeira Destacada de Angola  (na foto acima)
SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau Século XX, Volume 4. Direcção dos Serviços de Educação e Juventude, 2.ª Edição, Macau, 1997, 454 p (ISBN 972-8091-11-7)
(2) Avenida Marginal do Porto Interior – Rua das Lorchas
(3) Boletim Geral das Colónias, 1949

NOTA POSTERIOR:

Na sequência  dos comentários sobre esta tema, junto as informações fornecidas pelo Sr. Armando Cação. pelas quais estou imensamente grato:
A companhia de engenhos era uma unidade de Infantaria com material pesado. Desembarcou em Abril e só em Agosto chegam aí 2 companhias anti-carro expª, as quais foram mobilizadas pelo Batalhão de Engenhos (daqui). O comandante dessa C de engenhos era o Cap. Alvaro Salgado, que andava a velejar e foi preso pelas autoridades chinesas e levado para Cantão, onde lhe sacaram informações.  
A Companhia de Engenharia fez obras de construção relacionadas com a defesa, com o bem estar  das  unidades, montou barracas metálicas em Mong-Há, no Ramal de Mouros e na Flora, etc, etc,  construiu o quartel das Subsistências, que existiu no fim da Pedro Coutinho do lado do templo de Kun Iam. E fez mais um sem número de outras obras. Além de ter também as transmissões, que, na altura, eram da Engª. Um dos seus comandantes foi o Tenente e Capitão Mesquita Borges, que esteve muito ligado a Macau,  quer como militar, tendo sido Comandante Militar, quer como engenheiro civil, destacando o cargo de diretor  do gabinete da ponte Macau-Taipa (da primeira).”