Alguns parágrafos do artigo da Dra. Graciete Batalha publicada na revista MACAU (1), sobre a língua de Macau.

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Qual é, pois, nesta Babel, a língua de Macau?
            Verdadeiramente. é uma língua que já não existe. É esse crioulo antigo, hoje conhecido apenas por pessoas de certa idade que se recordam de o ouvir falar na infância ou por ex-residentes de Xangai ou de Hong Kong que nunca estudaram português e conservam ainda, mais ou menos, a fala tradicional.
            Em Macau designa-se modernamente por patoá (do francês patois) o que o antigamente se chamava língu maquista, isto é, o velho dialecto colonial ou crioulo que aqui se enraixou e aqui foi transmitido de pais a filhos durante trezentos anos até ao século passado, quando começou a declinar, tendo sido usado como linguagem familiar mesmo nas casas mais distintas. Foi usado também pelos chineses que vieram a comunicar mais assiduamente como os macaenses e ainda pelos servidores e soldados africanos  e asiáticos de várias procedência trazidas no séquito dos portugueses, e depois por seus descendentes aqui nascidos e criados pelos séculos fora.
            Não podemos esquecer, na formação do dialecto, esse contingente de acompanhantes africanos e asiáticos, entre os quais se contavam também muheres não europeias que para aqui vinham como companheiras, e muitas como esposas, dos antigos «moradores». Esse contingente foi decisivo na formação do crioulo macaísta. ” …(…).

(1) BATALHA, Graciete – Dóci Lingú di Macau / LÍngua de Macau in Revista MACAU, n.º 1. Maio de 1987, p.65.