Ontem, 1 de Março, do ano de 1926, falecia em Macau, aos 58 anos de idade, Camilo d´Almeida Pessanha.
Recorda-se aqui uma das oito elegias chinesas, traduzida por Camilo Pessanha                       

CHINA Camilo Pessanha VI Elegia ChinesaFANTASIA DA PRIMAVERA 

Cai o sol no imenso horizonte, em flor, do Kiang.

Pára o viandante a olhar.  A chuva, que do arvoredo ainda goteja, vai-lhe repassando a túnica… (1)

Oh! se dos mil chorões, à volta das ruínas do palácio real de Ch´u,  (2)

As flores soltas me fizessem cortejo, à despedida, no regresso à Pátria.

(1) A locução as gotas de chuva emprega-se geralmente conjugada com a palavra regar, expressa ou subentendida, significando regar de pranto o vestido. Em uma poesia da dinastia T´ang há este verso:
“as gotas de chuva, desprendendo-se das flores de amendoeira, em breve lhe terão alagado as vestes.”
(2) O principiado, ou reino feudatário, de Chú ocupava o Hu-Kuang, ou os dois Hu e parte do Ngan-hui e do Ho-Nan actuais. Os chorões abundam na China central, onde atingem enorme desenvolvimento. São por isso, às vezes em extensas alamedas, elementos quási obrigatório na pintura das paisagens do Yang-tsz-kuang. 

Tradução e notas retiradas de
PESSANHA, Camilo – China (Estudos e traduções). Agência Geral das Colónias. Lisboa, 1944, 133 p