A  «Comissão Autónoma dos Estudantes da Escola Secundária do Distrito de Chong-Sán, (中山, Zhongshan) Província de Kuong Tong» (1) e a «Comissão de Investigação das Questões de Macau da Escola Secundária do Distrito de Chon-Sán, Província de Kuong Tong» lançam severas críticas aos Portugueses, dizendo que «Portugal foi no século XVI um país próspero e um país de navegantes» e que «navegando para todas as partes, com espírito de piratas, têm usurpado territórios em todo o mundo e, no reinado Ká-Cheng, da extinta  dinastia Meng, (2) usurpou e ocupou Macau …. Entre as Nações imperialistas Portugal pode, ser considerado uma das mais antigas»
E o libelo faz um apelo veemente aos chineses dizendo: «Estando agora a nossa força revolucionária no seu estado de desenvolvimento, tendo nós arvorada a nossa bandeira contra os tratados iníquos e estando nós a gritar contra as nações imperialistas, não devemos nós marchar para a frente e retomar Macau ?» (3)

NOTA: Este libelo terá sido consequência da questão do monopólio do álcool   (embora aludiam também ao ópio, ao jogo e à prostituição existente em Macau)   por parte do Governo da Colónia (4) e da rivalidade/animosidade com o Japão   (em 1932 a República Chinesa declarou guerra ao Japão).

Refere ainda Herlander Machado (3) que:
Em 26-02-1934, o jornal chinês «Chung San Ian In Pou» de Siakkei, publicava notícias referentes a Macau. uma tradução desse noticiário foi enviada ao governo do BNU pelo gerente da filial de Macau sobre a hipotética concessão do monopólio do álcool aos japoneses pelo governo de Macau.
«Logo que o povo do distrito de Chung San teve conhecimento de que o Japão obteve de Macau o monopólio sobre o álcool e outros artigos, considera isto como um pretexto que o Japão procura para usurpar o sul da China e se isto chega a realizar-se será um grande perigo para o movimento militar, defesa nacional, finanças e comércio da China…»”
No entanto, em 28-02-1934, a Inspeção dos Serviços Económicos, de Macau, divulgou uma nota que entre outras considerações  afirmava categoricamente «que o Governo da Colónia não concedeu a ninguém o monopólio do álcool, pelo simples razão de que este monopólio, nos termos do Decreto que o criou só pode ser explorado pelo Estado»

(1) Província de Kuangtung, 廣東省 – Guangdong  Shéng (cantonense jyutping: gwong 2 dung1 saang2)
(2) Dinastia Ming (1368 – 1644), 明朝 – Ming cháo (cantonense jyutping: ming4 ciu4)
Imperador Jiajing (1521 -1567);  嘉靖 (cantonense jyutping: gaa1 zing6)
(3) Machado, Herlander – Macau de ontem e de hoje. Lisboa, 1981, 173 p.
(4) Em 11-11-1933 , foi publicado o  Decreto n.º 23 092 (artigo 8.º)  no Boletim Oficial –  proibindo, em Macau, a importação de álcool por particulares e só o governo poderia importá-lo, mas sucede que o Governo da Colónia para adquirir álcool fechou, para seu fornecimento, contrato por três meses com a firma japonesa de S. Wada – Sam Wa C.ª.