JuncosO junco move, langue, a asa do dragão,
Pintaram-no a nanquim no cetim da paisagem,
Parado o mar e branda a aragem:
Leque a abrir-se da caixa de charão

Sinto que avisto, à ré, a imagem de Fernão:
Na decisão do leme, o vigor da mensagem
De aventura, de fé e de coragem
Que andou, com ele, em peregrinação.

Súbito, o jet de Hong Kong, surgindo, além
Para os jogos febris e as casas de penhores,
Vem evocar Macau, esquecer Anaquá:

Lanternas de bazar, com «néons» em vaivém,
Cimentos em Nam Van (longe, os barcos de flores…)
Whisky´s and rock nas tijelas do chá

António Manuel Couto Viana
(18-03-1986)
POSTAL Taipa-macau Brigde

“MADRUGADA DA PONTE DE MACAU-TAIPA” de Tam Weng Keong

NOTA : Este poema foi retirado da revista «NAM VAN»,  n.º 24, 1 de Maio de 1986. Edição do Gabinete de Comunicação Social do Governo de Macau, p.57.
Sobre este poeta ver anterior post
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/05/29/poesia-no-farol-da-guia/