Abriu o Hotel Riviera, sucessor do New Macao Hotel, herdeiro por sua vez, do Hing Kee (na Avenida Almeida Ribeiro, cruzamento da Praia Grande, em frente ao Banco Nacional Ultramarino) (1)

Hotel Riviera AGU 1963Hotel Riviera publicado em 1963, Turismo de Macau

O «Hotel Hing Kee» foi  inaugurado em 1880. Posteriormente rebaptizado «Hotel Macao» e «New Macao Hotel» em 1903 e depois Hotel Riviera.
Em Maio de 1903, o Hotel «Hing-Kee» foi vendido por 20 mill patacas ao Sr.Farmes.  O Sr. Farmer não conseguira o arrendamento do Hotel-sanatório Boa Vista, que  foi cedido à Santa Casa da Misericórdia, em 1901, por 80 mil patacas (2). O proprietário do «Hotel Hing-Kee» era o sr. Leong Hing Kee, grande comerciante em Macau (3)
Uma referência ao «Hotel Hing-Kee» encontra-se no romance de Emílio de San Bruno (4)
Quando chegara a Hong Kong, tinham-lhe indicado o “Macao Hing Kee´Hotel”, que no Tourist´s Book vinha anunciado:
– «A perfectly new Building – 30 bedrooms – A confortable family Hotel – Five minutes from the steamer Wharves – Every thing of the Best – Charges very moderates»
Não era um Hotel de luxo, mas havia em todos os seus serviços o conforto sólido, sadio, disciplinado e limpo do Hotel inglês. E era china o proprietário! Mas tão bem educado na profissão hoteleira que a sua casa faria inveja a mais de um hotel de Lisboa, mantido por lusos e galegos….”

Um Anúncio no jornal Notícias de Macau, 8 de Junho de 1948, publicitava:

Hotel Riviera 1945“O elegante edifício do Hotel Riviera”         “À hora do chá, nas lindas varandas do Hotel Riviera”

  “Sob direcção europeia, este novo Hotel acaba de ser inaugurado. A cozinha, assim como o serviço dos quartos, é dos melhores no género. O Hotel destina-se especialmente aos turistas e visitantes estrangeiros. Ao Exmos Hóspedes que desejem ter a certeza de conseguir quarto, aconselha a gerência a reserva com a devida antecedência e por telegrama”

Outra referência, mas do «Hotel Riviera», vem no romance de Jaime do Inso (5)
O hotel «Riviera», onde se instalara, completamente renovado sôbre os restos do antigo «New Macao Hotel» onde a água entrava pelos telhados, de corredores írios e abandonados como um velho convento, oferecia-lhe um bem estar a quem nem em Lisboa estava habituado.
Os tapetes do vestíbulo surpreenderam-no logo de entrada: macios, fôfos como molas onde se pousassem os pés, eram convidativos e discretos, que o prenderam imediatamente, naquela espécie de voluptuosidade que ofereciam ao piso e, sem mais discussão, instalou-se num quarto do primeiro andar, de amplas janelas sôbre o Rada.
Quarto luxuoso e caro, com os mesmos tapetes preciosos e que tinha um certo aspecto  de «boudoir», sentia-se ali tão bem, que foi com supresa cheia de desgôsto que, no fim do mês, ao dividir as paacas pelas múltiplas bôcas que no Oriente as devoram, viu que tinha de modificar o seu viver… (…)
Na «Riviera», pela tarde, juntava-se a bôa sociedade de Macau, às vezes à mistura com alguns excursionistas vindo  de Hong Kong, e chineses ricos de passagem, ou emigrantes fugidos às perturbações de Cantão.”
Naquele dia havia uma certa animação, o «manager » do hotel e outros chineses interessados na emprêsa, não ocultavam quanto satisfeitos, sentados nas amplas poltronas do «hall», enquanto no salão contíguo os criados iam, num vai-vem constante, servindo os fregueses.
No lado oposto, estavam-se ultimando os preparativos para um jantar dançante, à americana, para aquela noite,  e as decorações e as lâmpadas viam-se numa profusão tal que quási encobriam o tecto.”

´Hotel Riviera 1964Hotel Riviera – publicado em 1964, AGU

NOTA: Foi somente em 1918, que a Avenida de Almeida Ribeiro foi aberta completamente. O último troço completou-se com a demolição da casa do rico comerciante Lin Lian, possibilitando estabelecer o cruzamento da Av. de Almeida Ribeiro com a Rua da Praia Grande. (1)
(1) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau Século XX, Volume 4. Direcção dos Serviços de Educação e Juventude, 2.ª Edição, Macau, 1997, 454 p. (ISBN 972-8091-11-7)
(2) Recordar que o governo de Macau expropriou o edifício (Hotel Boa Vista) por causa de uma tentativa de compra por parte dos franceses para o transformar em sanatório para os seu cidadãos na Indochina mas os ingleses opuseram-se  ao negócio com receio de um reforço francês na região.(1)
(3) Há uma informação em (1) do Sr. Leong Hing Kee:”14-X- 1924 – Pedido e Leong Hing Kee, Gerente da Sociedade por quotas «Armazém Frigoríficos de Macau, Sociedade Ltd.» do exclusivo de congelação de géneros alimentícios.”
(4) BRUNO, Emílio de San – O Caso da Rua Volong. Tipografia do Comércio, 1928,  414 p.
Mais sobre este livro em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/01/02/livro-o-caso-da-rua-volong/
5) INSO, Jaime do – O caminho do Oriente“. Edição do autor, 1932, 374 p. + |4|
Mais sobre este livro em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/02/17/leitura-o-caminho-do-oriente/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/02/28/leitura-o-caso-da-rua-volong-ii/