Construção de um abrigo e bateria na Colina da Guia. Já antes tinha havido e depois voltaram a ser construídos abrigos, subterrâneos e baterias . Às duas primeiras foi dado o nome de «5 de Outubro» que depois passou a «Almirante Gago Coutinho e Sacadura Cabral» sem perder o nome inicial, por ocasião da viagem aérea ao Brasil (1)

A propósito desta notícia de 1913, a Ilustração Portuguesa apresentava em Janeiro de 1914 uma foto
Artilhreiros 1914com a seguinte legenda: “A companhia europeia de artilharia depois do transporte d´um canhão do Fortim da Bahia (2) para o abrigo da colina da «Guia» sob a direcção do tenente d´artilharia sr. Farinha e Relvas no que foram empregados apenas 37 homens.”

A construção de um abrigo e bateria na Colina da Guia está relatada no Processo n.º 51 (Série B) do Arquivo Histórico de Macau com a data de 16 de Janeiro de 1913.

Posteriormente estes abrigos e baterias foram alargados e construíram-se túneis subterrâneos de ligação entre eles que, à época da Segunda Guerra Mundial, tinham a função de proteger a guarnição dos ataques aéreos. Serviam também de instalações militares com os seus próprios geradores de energia eléctrica, salas de descanso e depósitos de combustíveis e de mantimentos. O túnel mais comprido tem 456 metros e o mais curto apenas 47. Pode-se ler mais sobre estes “Túneis para uso militar na Colina da Guia” no portal do Instituto para os Assuntos Cívicos  e Municipais (3) e merecem uma visita. A entrada faz-se por este portão (foto seguinte) assinalada: “Salão de Exposições do abrigo Aéreo da Colina da Guia”

Túnel da Guia 2005(1) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau Século XX, Volume 4. Direcção dos Serviços de Educação e Juventude, 2.ª Edição, Macau, 1997, 454 p (ISBN 972-8091-11-7)
(2) Não há nenhuma referência histórica, em Macau, dum Fortim chamado da “Bahia”. Muito possivelmente o jornalista se referia ao Fortim de S. Pedro , existente na Baía da Praia Grande. Este fortim estava situado no ponto médio da margem da Praia Grande (onde hoje se situa a Estátua de Jorge Álvares) e destinava-se a defender a costa adjacente ao Porto Exterior contra a possibilidade, duma invasão inimiga em embarcações pequenas. O Fortim de S. Pedro foi demolido em 1934 durante os trabalhos de recuperação de terras na baía da Praia Grande. . Em 1867 existia neste Fortim, 6 canhões.
Informações do fortim retiradas de
GRAÇA, Jorge – Fortificações de Macau. Instituto Cultural de Macau, s/ data, 144 p.

Chinnery Praia Grande com Fortim S. Pedro 1930Praia Grande em 1830 com o fortim de S. Pedro à direita (pintura de George Chinnery)

Ver ainda outra pintura de Chinnery, do Fortim de S. Pedro em 1825 em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/12/10/noticia-de-10-de-dezembro-de-1862-visconde-da-praia-grande/chinnery-fortim-s-pedro-1825/
(3) http://www.iacm.gov.mo/museum/viewinfo.aspx?museum=guiapop&lang=p