Celebra-se amanhã, dia 30 de Setembro, a Festividade do dia 15 da 8.ª lua – comemora a dupla festa da colheita e do «aniversário» da Lua. Oferece-se aos amigos e familiares, umas caixas do tradicional bolo doce característico da festa do Outono (Chong Chau Chit – 中秋節 – Festividade de Outono) (1), ou seja da 8.ª lua. A este bolo dão os chineses o nome de “UT PEANG” () (2) que corresponde, em português a «bolo lunar». Em Macau, o saboroso pastel é também conhecido por «bolo de bate-pau» e esta designação não é de todo descabida, se atendermos à explicação de que os tais bolos são feitos em formas de madeira e que os pasteleiros, na sua confecção, batem essas formas com estrondoso espalhafato. Feito de farinha grisalha (cor da Lua), o bolo é colocado no altar em número de treze, representando os meses do calendário chinês completo e, outrossim, o círculo completo da felicidade.
O «aniversário» da Lua é determinado na 8.ª lua, na estação em que, segundo a lenda chinesa, o princípio feminino, personificado pela Lua, começou a tomar conta do universo, juntamente como Sol, ou seja o YANG que é o manancial da energia viril, da luz e do calor. Assim, é nessa altura que se assinala o período de transição do calor do Verão para a frescura do Outono e da clareza do Verão para a escuridão do Inverno.
Para os chineses, é a Lua a padroeira das mulheres e é por isso que, em todas as famílias, cabe à mulheres o dever de adorar a Lua. Há um ditado chinês que diz: «Não cabe aos homens adorar a Lua, nem às mulheres sacrificar-se ao Deus da Cozinha»~
Debaixo dos olhos fiscalizadores da mãe, as filhas e noras ornamentam o altar, regra geral colocado ao ar livre, para a festa da Lua. São então colocados – maças, pêssegos, romãs, uvas, melões, etc – dado que a sua forma não só simboliza a Lua como também sugere a união da família.(3)
Na década de 50 e princípios de 60, nesta altura, durante os primeiros 15 dias da 8.ª lua, percorria-se a Avenida de Almeida Ribeiro para ver os ornamentos com alusivos à festa do «bolo lunar» colocados nas principais pastelarias. Muitos deles, mais sofisticados, já com ” figuras” que se mexiam (de noite, estavam iluminados) e quase sempre enquadradas em lendas ou histórias antigas chinesas como este em que se recorda o feito dos patriotas do Século XIV, contra a opressão dos mongóis.


As crianças percorriam as ruas com lanternas decorativas, de várias formas, imitando animais como borboletas (símbolo da longevidade), lagostas (símbolo da felicidade e fortuna), coelhos, peixes, etc (daí erradamente conhecido também como Festival das Lanternas) (4)

NOTA: As duas fotos foram retiradas dum artigo não assinado “A Festa do Bolo Lunar”, revista NAM VAN, n.º 5, 1984
(1)  中秋節 pinyin: zhong qiu jie; em cantonense jyutping: zung1 cau1 zit3
(2) 月餅 pinyin: yuè bing; em cantonense jyutping: jyut6 beng2
(3) Retirado dum artigo não assinado do M. B. I., n.º 52, 1955.
(4) O Festival das lanternas 猜燈謎 (pinyin: cāi dēng mí; cantonense jyutping: caai1 dang1 mai4) é comemorado no 15.º dia do primeiro mês do calendário lunar, data do encerramento oficial da celebração do ano novo chinês.