Na 1.ª Exposição Colonial Portuguesa que se realizou em 1934 na cidade do Porto, o dia 30 de Agosto, foi dedicado ao “DIA DE MACAU“. O Capitão Rogério Ferreira proferiu uma  conferência, nesse dia,  no Palácio das Colónias intitulada “Os Portugueses na China e a fundação de Macau”. O  Capitão Rogério Ferreira, foi  chefe de Repartição do gabinete do Governo de Macau.
A conferência foi posteriormente reproduzida num pequeno opúsculo que apresento.
Foi publicada pelas «Edições da 1.ª Exposição Colonial Portuguesa – Pôrto – 1934». Tem 20 páginas e foi composto e impresso na Tipografia Leitão, de Anjos & C.ª, Limitada – R da Picaria, 73 – Telefone 5070 – Porto.(23 cm x 16 cm)
 

Do texto, retiro :
“…Quando, muitos anos mais tarde um violento incêndio destruiu o Seminário de S. Paulo, outro colégio semelhante foi estabelecido num lugar diferente da cidade. E tão grande era o prestígio e o respeito, quási supersticioso, que aos chinas inspirava o velho Colégio incendiado – do qual hoje só restam majestosas ruínas – que ao seu sucessor, o Seminário de S. José, ficaram chamando San-Pá-Chai – Filho de S. Paulo.
Foi lá que aprendeu as primeiras letras o heróico Marechal Gomes da Costa, no tempo em que seu pai foi Tenente-Quartel- Mestre em Macau; eu vi, em 1923, o velho cabo de guerra, escarnecido no serviço da Pátria e nos combates, atravessar, comovidíssimo, com os olhos marejados de lágrimas, por entre as alas admirativas dos rapazinhos que ali se educam, os sombrios corredores abobadados ponde, tantas vezes, havia passado, menino, sobraçando os seus livros de Macau… “
O Pavilhão Chinês no Stand de Macau na 1.ª Exposição Colonial Portuguesa no Porto apresentava paisagens e curiosos aspectos da vida em Macau; reconstituição da música, actos religiosos e tradicionais, um salão de chá, mostra de indústrias, artes, literatura. Já tinha havido feiras de amostras, no Ultramar (Macau, Angola e Moçambique), no Porto (1921 e 1923), no Estoril (1929) e uma Primeira Feira Industrial em Lisboa (1932) (1)
Para ocorrer às despesa com a sua representação na 1.ª Exposição Colonial, os governos coloniais foram autorizados a abrir no ano económico de 1933-1934 créditos que em relação a Macau foram 7.000 patacas, bem como foi permitida a importação temporária de mercadorias estrangeiras ou coloniais que se destinavam à Exposição (2)
 
“A 1.ª Exposição Colonial Portuguesa deu-se no Palácio de Cristal e nos seus jardins, no Porto, entre os dias 16 Junho a 30 de Setembro de 1934. Esta exposição teve em preparação desde 1931 pois o Estado Novo tinha como objectivo organizar um evento de dimensões nacionais. No meio de muitas dúvidas sobre o melhor lugar para decorrer esta exposição, chegou-se à conclusão que a melhor zona seria a do Palácio de Cristal, no Porto.
A exposição dividia-se em duas grandes secções: A secção oficial e a outra dedicada as iniciativas privadas. A secção oficial dispunha de quinze sub-secções: A secção da História, de forma a referir a história colonial desde 1415; outra destinava-se a apresentar os empreendimentos coloniais portugueses dos últimos quarenta anos; representação etnográfica; a demonstração do exército; os monumentos; o parque zoológico; outra mostrava o teatro e cinema oficiais; outra a livraria colonial; uma secção destinada a provas de produtos coloniais; um salão de conferências e congressos; uma outra de assistência médica e sanitária aos nativos. …(…) …O edifício principal do Palácio de Cristal estava transformado no Palácio das Colónias. Na zona central, encontrava-se a exposição oficial, que incluía referências aos portos marítimos, caminhos-de-ferro, missões religiosas, aspectos relacionados as colónias, entre outros, e que pretendia dar uma maior visão sobre todos os benefícios que a colonização tinha levado aos territórios de além-mar. Na ala direita, estavam expostos os participantes privados vindos das colónias e, na ala esquerda, foram colocados os participantes privados vindos da metrópole. …(…) … O final da exposição marcou-se com o Cortejo Colonial que percorreu algumas ruas da cidade… (3)

(1) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Século XX, Volume 4. Direcção dos Serviços de Educação e Juventude, Macau, 1997, 454 p, ISBN – 972-8091-11-7
(2) BO de 28 de Agosto de 1933.
http://www.dre.pt/pdf1s%5C1933%5C08%5C19400%5C15811581.pdf
(3) Partes do trecho (recomendo a sua leitura integral) retirado do blog: Cromos da História: 1.ª Exposição Colonial Portuguesa em
http://1exposcaocolonial-porto1934.blogspot.pt/2009/03/1-exposicao-colonial-portuguesa-porto.html
NOTA: Mais informações sobre a 1 .ª Exposição Colonial (e o impacto que teve no Porto), sugiro além do referenciado em (3) os seguintes:
http://doportoenaoso.blogspot.pt/2010/10/os-planos-para-o-porto-dos-almadas-aos.html
http://blogueforanadaevaotres.blogspot.pt/2011/05/guine-6374-p8253-notas-de-leitura-237.html
http://macauantigo.blogspot.pt/2009/05/1-exposicao-colonial-portuguesa-1934.html