“…O advogado não perdeu tempo em abancar-se novamente à sua secretária, para minutar uma bem fundamentada exposição, ao Governador da Província, relatando que, há dois meses, isto é, na noite de 5 de Maio de 1910, ousados piratas chineses incursionaram as aldeias de Tong Hang e Pac Seac, do distrito de San Neng, em Seak Kei, e raptaram 18 crianças, das quais 17 eram alunos, sendo o último um moço de cozinha, duma escola, exigindo $ 35.000, quantia bastante elevada para a época, de resgate pelos 18 cativos…

(…) Por averiguações mandadas efectuar por aqueles três chineses, vindos de Hong Kong, um dos quais era avô dumas das crianças raptadas e outros dois, progenitores de duas outras crianças, sabia-se que aquela petizada tinha sido levada para a Ilha de Coloane, que por nessa época ser pouco povoada, tinham os piratas conseguido instalar ali, à socapa, o seu valhacouto…(…)

 Pedia o advogado à suprema autoridade da Província, urgentes providências, uma vez que essa ilha constituía uma dependência de Macau”

Desta exposição feita por Constâncio José da Silva (advogado dos auditórios da Comarca de Macau; além de advogado era editor, director e proprietário do hebdomadário “A Verdade” com redacção, administração e tipografia no rés-do-chão do prédio n.º 17 da Rua da Praia Grande) ao Governador, então, de Macau, Eduardo Augusto Marques, resultaria uma ordem ao comandante da Ilha da Taipa, Tenente Albino Ribas da Silva para que efectuasse uma diligência militar com o fim de capturar os piratas. Tal diligência culminaria com a expulsão definitiva dos piratas de Coloane.

Informação recolhida de GOMES, Luís Gonzaga – Páginas da História de Macau. Instituto Internacional de Macau, 2010, 357 p. ISBN: 978-99937-45-38-9