Pequena homenagem pelo centenário do nascimento do Padre Teixeira (Freixo de Espada à Cinta, 15 de Abril de 1912 – Chaves, 15 de Setembro de 2003). Controverso por vezes, mas indiscutível a sua contribuição para a História de Macau,  presença portuguesa no Oriente e a Missionação na Ásia.  Após a conclusão primária na sua terra natal (aos 12 anos de idade), partiu para Macau onde ingressou no Seminário de S. José. Recebeu a Ordem sacerdotal no dia 29 de Outubro de 1934 no mesmo Seminário.
Transcrevo do livro de Dinis de Abreu (1), parte da entrevista concedida em 1999 (tinha 87 anos) (pp. 27-33)
“— E como era Macau, à sua chegada? « Era uma aldeia portuguesa ao lado de um aldeia chinesa. Havia apenas uma taberna portuguesa, pertencente a um transmontano chamado Rocha, casado com uma japonesa,. Era muito meu amigo. Um dia suicidou-se. O resto estava tudo nas mãos dos chineses» Ou seja, como conta, os portugueses ocupavam as repartições públicas e com isso se bastavam. Todo o comércio pertencia aos chineses – «Era uma harmonia perfeita»
As piores memórias são as do tempo da Guerra. Macau não escapou aos seus reflexos e a fome não poupou muitos. Depois, veio a Revolução Cultural e os excessos. Conta «Estava na Igreja de S. Lourenço e recebo um telefonema dizendo que o Leal Senado estava a ser invadido e destruída a sua documentação. Corri para lá e já estava tudo cá fora, atirado pelas janelas. Comecei a apanhar os papéis, quando apareceu uma viatura com ordem para carregar e queimar os arquivos. O quê? Queimar 300 anos de história de Macau? Falei com o governador Nobre de Carvalho e ele deu-me autoridade para me opor a esse desígnio. Fiquei durante três dias a apanhar a papelada toda. Dois terços dos arquivos foram salvos». mas os comunistas seguidores de Mao «dominavam a cidade – era perigosos andar na rua» … (…)
Foi contemporâneo de Pessanha e de Wenceslau de Morais. (…)
De Pessanha, diz que lhe admirava o talento, mas não o carácter. Guarda dele uma imagem bem pouca abonatória. De Morais, evoca a sua frustração por não ter sido promovido a comandante da capitania dos portos de Macau – «Furioso, foi ao Japão e não voltou mais» …(…)
Esteve a um passo de embarcar para Timor, estudou, por isso, o dialecto tétum, mas a hierarquia mudou de intenções e continuou em Macau. «Se tivesse ido, hoje estava fuzilado». Em contrapartida, passou 15 anos em Singapura, entre 1947-1962 e sentiu que o padre era procurado para resolver todos os assuntos que afligiam os paroquianos. …”
 
O Padre Teixeira passou 76 anos no Oriente.
(1) ABREU, Dinis de – Macau: diário sem dias. Editorial, Lisboa, 1999, 331 pp.+ |1|, ISBN 972-22-1985-5