Recorda Pe. Teixeira (1):
Há 60 anos, vibração, fogo e patriotismo; hoje, a chama amorteceu. Comemoravam-se todos os soldados portugueses mortos desde o começo até ao fim da I Grande Guerra, em África, em França, na terra e no mar e, sobretudo, na Batalha do Liz de 9 de Abril de 1917. Eu assisti às imponentes comemorações de 9 de Abril de 1926, durante o Governo de Manuel Firmino de Almeida Maia Magalhães, que era alcunhado de “Má-Má” (Maia Magalhães) como seu antecessor Rodrigo Rodrigues era conhecido por “Ró-Ró”.
Nesse ano, houve missa cantada de Requiem na Sé por D. José da Costa Nunes, bispo de Macau, em que tomou parte o coro polifónico do Seminário e a que assistirem o Governador e o Juiz, nos seus lugares de honra, oficiais de Terra e mar, Leal Senado, o Governo e os Chefes das Repartições, muitas praças das várias unidades e muito povo. Pregou o Vigário Geral, Dr. António José Gomes, autor do poema heróico Cristíada. Seguiu-se a encomendação do “Libera me”. Às 15 h., parada militar no Campo Desportivo da Caixa Escolar, no Tap Seac, com a formatura de 700 homens – Marinha, Infantaria, Artilharia, Companhia Expedicionária, polícia de Terra e Mar e Corpo de Voluntários. O Governador passou revista às tropas, pronunciando um patriótico discurso, a que se seguiu uma vibrante alocação do Prelado. Guardou-se um minuto de silêncio, em que se curvavam as bandeiras. Terminou o acto com uma salva de 21 tiros”

Recorda-se que o Campo Desportivo da Caixa Escolar, mais tarde Campo da Caixa Escolar,  ficava no Tap Seac, onde hoje está a Praça Tap Seac. O edifício denominado Caixa Escolar, foi construída em 1925 na  parte sul  do campo.
“Em 1924, o Liceu foi para o Asilo das Inválidas do Tap-Seac…(…). ..O local era péssimo. nas traseiras, o cemitério de S. Miguel, à vista do qual os asilados deviam meditar na morte; em frente, o campo de jogos da Caixa Escolar, a convidar os alunos a trocar os livros pelos espectáculos de futebol” (p. 120) (2)
O Campo do Tap Seac, fronteiro ao Liceu, foi cedido pelo Estado, à Caixa Escolar ( instituição criada em 1919 para auxiliar os alunos mais desfavoráveis) …” (p. 69) (3)

NOTA: A foto da Caixa Escolar estava guardada há muito no meu computador e foi retirada de uma página electrónica. Infelizmente não conservei o endereço de origem. Caso haja crédito de autoria e não deseje mantê-lo publicado, agradecia que me informassem.

Sobre a caixa Escolar e um pouco da história de Tap Seac, aconselho:
http://macauantigo.blogspot.pt/2009/04/caixa-escolar.html.
http://macauantigo.blogspot.pt/2011/06/tap-seac-um-pouco-de-historia.html.

(1) Gazeta Macaense, 08-04-1987 citado por ARESTA, António – Monsenhor Manuel Teixeira e a história da educação in A Educação Portuguesa no Extremo Oriente. Lello Editores, 1999, 254 pp. + |1|, ISBN 972-48-1768
(2)  TEIXEIRA, P. Manuel – Liceu Nacional Infante D. Henrique, Jubileu de diamante (1894-1969), Macau, Imprensa Nacional, 1969, 291 pp. + |VI|, 23 x 16 cm
(3) BOTAS, João F. O. – Liceu de Macau 1890-1999. Edição do autor, 2007, 197 + |1|, 26,5 x 18 cm