Das  realizações apoiadas e realizadas pelo Movimento Nacional Feminino  ( natal do soldado, serviço de madrinhas de guerra, etc.) aquela que teve mais importância, foi a emissão de aerogramas militares (concessão de isenção de franquia postal para os militares e suas famílias).O aerograma militar era oferecido pelo Movimento Nacional Feminino. Tratava-se de uma edição exclusiva para esse movimento  (movimento patriótico de solidariedade entre um grupo de mulheres, criada em 28 de Abril de 1961, e que segundo constava nos seus Estatutos, era independente do estado e não continha cariz político ) (1). Propunha-se prestar apoio aos desalojados e repatriados de Angola, às famílias e aos militares expedicionários que entretanto eram mobilizados para o Ultramar, em defesa do território nacional.
Os primeiros aerogramas editados pelo MNF, foram impressos em papel azul pálido. A partir de Março de 1962, passaram também a ser impressos aerogramas em papel amarelo, destinados ao uso exclusivo no sentido Ultramar-Metrópole (somente militares) enquanto que, os aerogramas impressos em papel azul, foram  utilizados no sentido inverso, Metrópole – Ultramar (distribuídas aos civis).
No endereço dos aerogramas e cartas, escritas para o Ultramar, não deveria constar em caso algum, a referência à Província Ultramarina de destino, à localidade onde o militar se encontrava ou à unidade a que pertencia. Além do nome, posto e número do destinatário, somente se poderia indicar no endereço, o número do Indicativo Postal Militar respectivo, mais vulgarmente conhecido por número do SPM. O indicativo postal do SPM era composto por 4 dígitos e nos primeiros tempos de guerra os três primeiros definiam a unidade militar e o último a província ultramarina. Dígito 1 Índia, o 2 a S. Tomé, o 3 a Macau, o 4 a Moçambique, Timor o 5, Angola o 6,  7 para Cabo Verde, a Guiné o 8 e o 9 era a Metrópole. Só com esta definição do último dígito era fácil ao SPM em Lisboa encaminhar o correio para a respectiva província. Quanto aos três primeiros dígitos e dado que a mobilização de unidades em África cresceu muito, houve a necessidade de rapidamente se alterar o critério inicial, mas mantendo sempre o último dígito definidor do território de destino.
O não cumprimento destas normas, obrigava à devolução ao remetente, de todo o tipo de correspondência.
Do acordo entre a Administração Geral dos Correios, Telégrafos e Telefones (CTT), Correios, Telégrafos e Telefones do Ultramar (CTTU) e o Secretariado Geral da Defesa Nacional, resultou a regulamentação do uso dos aerogramas e foi criado o Serviço Postal Militar (SPM) (2)  que, de forma exemplar, cumpriu a missão de fazer chegar o correio aos militares em campanha durante a Guerra Colonial, de 1961 a 1974.

Este exemplar de aerograma militar, de papel cor amarelo, 40 g, marca de água EXTRA AZENHA / PORTUGAL,  28,5 cm x 17 cm + 1,5 para pala do fecho, tem a indicação do preço ($30 – trinta centavos) Desconheço se era o preço da compra mas segundo  informações, em Macau, eram fornecidos gratuitamente sendo o transporte assegurado de forma igualmente gratuita. Na verso do local onde era colocada a cola está impressa “GRÁTIS PARA AS FORÇAS ARMADAS EM SERVIÇO NO ULTRAMAR PORTUGUÊS”
 
O aerograma era um impresso carta, constituído por uma folha de papel, com o peso máximo de 3 gramas, dobrável em duas ou quatro partes, de modo que as dimensões resultantes da dobragem do aerograma não excedesse o limite máximo de 150 x 105 mm e mínimo de 100 x 70 mm.
Na frente, reservada às indicações do destinatário, estavam  impressas as seguintes inscrições:
– No ângulo superior direito do aerograma inscrição “CORREIO AÉREO / ISENTO DE PORTE E DE  SOBRETAXA AÉREA / portaria nº. 513/71 de 23 de Setembro de 1971”
– No ângulo superior esquerdo: “O TRANSPORTE DESTE AEROGRAMA É UMA OFERTA DA TAP AOS SOLDADOS DE PORTUGAL”
– No lado esquerdo “É PROIBIDO INCLUIR QUALQUER OBJECTO OU DOCUMENTO
– No lado direito “O DEPÓSITO NO CORREIO É FEITO EM MÃO EM QUALQUER ESTAÇÃO DOS CTT ”.
No verso, seriam impressas indicações referentes ao remetente. Neste espaço era obrigatório indicar, a seguir ao nome do militar, o seu posto e número.
NOTA: Muita da informação relevante acima descrita foi retirada do livro
História do Serviço Postal Militar” de Eduardo Barreiros e Luís Barreiros, 2005,  ISBN 972-9119-65-1
(1) Clube Filatélico de Portugal: Guerra Colonial 1961-1974 “Aerogramas Militares O M.N.F. e o Serviço Postal Militar
http://www.cfportugal.pt/index.php?option=com_content&view=article&id=169%3Aguerra-colonial-1961-1974-aerogramas-militares-o-mnf-e-o-servico-postal-militar&catid=26%3Aboletim-no-410&Itemid=15

(2) Sobre o SPM, em Macau, ver post anterior “SERVIÇO POSTAL MILITAR EM MACAU