O texto e a foto foram retirados da obra do Padre Manuel Teixeira, “O Leal Senado” (1)
“Nos «Arquivos de Macau», n.º 4, vol. II, 3.ª série, José Maria Braga conta como veio ao conhecimento de que outrora existiria um pelourinho no Largo do Senado.
No decurso de um colóquio, o Padre Sarmento pediu-me, para tentar pesquizar qualquer referência acerca do pelourinho que existiu em Macau…(…)… Este seu pedido ficou-me na lembrança, durante muitos anos, até que tive o indiscritível prazer de descobrir um esboço a lápis, no Museu de Vitória e Alberto, em Londres, que mostrava, exactamente, como era o antigo pelourinho que existiu e Macau.
O desenho fora feito por George Chinnery, o artista inglês que viveu em Macau, de 1825 a 1853, sendo, na realidade, de aliciante interesse, pois lá aparecia o pelourinho, erecto no Largo de Senado. .. (…)…

Neste desenho não só  se vê o pelourinho apoiado sobre um pequeno plinto  como igualmente se pode observar o esboço da fachada da velha igreja de Santa Casa da Misericórdia, tendo num dos seus lados a sua pequena torre crenelada, tão característica das igrejas portuguesas e, no outro, o cartório da venerável instituição dão íntimamente ligada a uma das mais belas fases de esmolaria  deste minúsculo estabelecimento português…(…)…
A história guarda silêncio sobre a data da sua erecção, pois os velhos documentos desapareceram todos, reduzidos a pó pelos efeitos de um clima húmido e pelas destruições das traças, através de vário séculos, ficando nós assim a conjecturar, quando é que isso teria acontecido.
No desenho de Chinnery, porém podemos ver que o pelourinho de Macau era um bonito exemplar do símbolo particular do prestígio português. A base parecia ser quadranqular, com dois lanços de degraus que vão do pavimento ao monumento. Sobre ela encontrava-se um pilar liso, idêntico  aos pelourinhos doutras cidade e vilas portuguesas, na metrópole e nas cidades e vilas que se encontram bastante distanciadas umas das outras em todo o mundo. Sobre o fuste do pilar estava colocado um bloco de pedra, cúbico ou esferoidal, donde se projectavam hastes de ferro e, na parte cimeira, uma esfera armilar em pedra, símbolo tão intimamente ligado aos esforços que levaram os Portugueres (erro de impressão)  às descobertas e a estabelecerem-se em tantos lugares…(…)…
…mas nos fins do século XVI, quando a cidade do Nome de Deus de Amacao foi concedido o seu foral, esta coluna de pedra tornou-se o verdadeiro símbolo da jurisdição municipal, se não da soberania nacional…”
NOTA: Há  imensa documentação sobretudo na website, sobre o significado e a  importância  do pelourinho em Portugal. No entanto, a minha pesquisa para encontrar um que assemelhasse ao descrito para o pelourinho de Macau, “base quadrangular, dois lanços de degraus, pilar liso, encimado por esfera armilar em pedra” foi negativa.
(1) TEIXEIRA, P. Manuel – O Leal Senado. Edição do Leal Senado de Macau, sem data, 24