Archives for category: Ligação Macau-Hong Kong

Em 27 de Março de 2013, publiquei uma “NOTÍCIA – RANCHO FOLCLÓRICO EM HONG KONG – 1954” com uma foto (má impressão) que tinha sido retirado de “Macau Boletim Informativo”. (1)

A minha amiga Maria Leonor Ranito que participou nesse rancho folclórico, enviou-me, uma fotografia idêntica a essa (com ligeiras diferenças) tirada no salão do Clube Militar, que muito agradeço.
E mais, elogio a sua  memória pois conseguiu identificar todos os intervenientes.

Rancho Folclórico Clube Militar 1954
Assim, segue a legenda para identificação das pessoas que obedece ao seguinte critério: começando sempre pela esquerda da foto, temos 13 pessoas sentadas na 1ª fila numeradas de 1 a 13, a 2ª fila, com 11 pessoas, corresponderá os números de 14 a 24 e a 3.ª fila com os 5 músicos que estavam a cumprir o serviço militar em Macau.
1 – Maria Cristina Marques Mano.
2 – Correia Marques.
3 – Mariazinha Machado.
4 – Viriato Osório.
5 – Edith Maneiras.
6 – David Nóbrega.
7 – Carocha.
8 – Gil dos Santos.
9 – Maria da Graça Ranito.
10 – Vicente Magalhães da Silva.
11 – Gaby Andrade.
12 – Garrido.
13 – Maria Leonor Ranito.
14 – Mariazinha Pinto Ribeiro.
15 – Mourão.
16 – Ruby Senna Fernandes.
17 – Aguiar.
18 – Fernanda Osório.
19 – Tonecas Maneiras.
20 – Arlete Senna Fernandes.
21 – Daniel Andrade (irmão da Gaby)
22 – Eduarda Coelho.
23 – José Ranito.
24 – Mário Barata da Cruz.

Clube Militar  iluminado 1960Clube Militar iluminado em 1960
(Comemorações do V Centenário da Morte do Infante D. Henrique)

O Grémio Militar foi fundado em Macau em 1870 por um grupo de oficiais das forças do Exército de Macau. O primeiro presidente da colectividade foi o Capitão Manuel de Azevedo Coutinho.
Durante a Guerra no Pacífico (1941-1945), o Grémio passou da mão dos sócios para mão do governador tendo ali sido instalados os refugiados de Hong Kong. Terminou a guerra em 1945 e os refugiados regressaram a Hong Kong. O Governo, tratando o edifício do Grémio como coisa própria, mandou instalar lá a Repartição da Fazenda que funcionava no Palácio de Governo. Construído e inaugurado o Palácio das Repartições, o edifício do velho Grémio, foi entregue aos serviços militares para instalação do Clube Militar. A Comissão Administrativa do Clube Militar nomeada em 29 de Outubro de 1951 pelo Governo (2) convidou o Ministro do Ultramar,  Manuel Maria Sarmento Rodrigues para o inaugurar em 30 de Junho de 1952.

(1)  Ver em:
http://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/03/27/noticia-rancho-folclorico-em-hong-kong-1954/
(2) O Governo deu ao Grémio $ 31.920,00 pelos anos que o ocupou sem pagar aluguer e dois donativos: um de $15.000.00 e outro de $1.500,00, ao todo $48.420,00. Foi com este dinheiro que a comissão administrativa comprou o mobiliário e os ricos lustres que lá se vêm hoje (TEIXEIRA, Pe. Manuel – Os Militares em Macau)

MOSAICO III-15-16  4NOV1951 Hockey Club de Macau AA EQUIPA A DO HOCKEY CLUB DE MACAU

 No dia 4 de Novembro de 1951, no campo desportivo de hóquei do Tap Seac, defrontaram-se em animados desafios os grupos das 1.as e 2.as categorias dos Argonautas de Hong Kong e Hockey Club de Macau. O grupo da 1.ª categoria de Macau empatou, por 2 a 2, com o grupo correspondente de Hong Kong.

 MOSAICO III-15-16  4NOV1951 Argonautas de HK AA EQUIPA A DOS ARGONAUTAS DE HONG KONG

O grupo da 2.ª categoria de Macau conseguiu derrotar o grupo de 2.ª categoria de Hong Kong por 7 a 1.

MOSAICO III-15-16  4NOV1951 Hockey Club de Macau BA EQUIPA B DO HOCKEY CLUB DE MACAU

MOSAICO III-15-16  4NOV1951 Argonautas de HK BA EQUIPA B DOS ARGONAUTAS DE HONG KONG

Retirado de MOSAICO, VOL. III, 1951

O Hóquei Clube de Macau assinalou neste dia 2 de Outubro de 1955 a abertura da época de hóquei em campo com a realização de três encontros. A convite do referido clube, deslocaram-se a Macau para a realização dos três encontros, os grupos de honra do Regimento de Hong Kong (faziam parte desta equipa visitante alguns dos melhores hoquistas de Hong Kong, quase todos portugueses), o «onze» do 14.º Regimento de Artilharia (da 1.ª divisão de Hong Kong), que jogará contra a equipa «B» do Hóquei Clube e duas equipas femininas, também de Hong Kong, a «Gremlin´s» e a Força Auxiliar do Exército.
A série iniciou com o encontro de exibição entre as equipas femininas que terminou por 7 a 0, a favor da «Gremlin´s».
Seguidamente, o grupo B do Hóquei Clube de Macau enfrentou o «onze» do 14.º Regimento de Artilharia, terminando a partida com o resultado de 9 a 0, a favor do grupo local.
Para registo fica os nomes dos jogadores que alinharam:
Pereira; Henrique da Silva e Alberto Colaço; Rigoberto do Rosário, Bosco da Silva e Humberto Rodrigues; Fernando Nascimento, Pedro Lobo Jr, Nuno dos Santos, Lisbelo da Luz e Américo Cordeiro
Marcaram pela equipa macaense: 5-0 na primeira parte – Nuno dos Santos (3 golos) , Américo Cordeiro e  Pedro Lobo Jr. E 4-0 na segunda parte: Lisbelo da Luz (2 golos) e Américo Cordeiro (2 golos).

O encontro principal (com as bancadas completamente cheias) era aguardado com ansiedade já que após quase 4 meses sem hóquei e após preparação intensiva (mesmo em período de defeso, a preparação da equipa não foi descurada) com o objectivo da sua participação nos Jogos Olímpicos de Melbourne (sobre este episódio, ler anterior post) (1), os espectadores queriam apreciar o comportamento da equipa.
A equipa de Macau apresentou: Cristóvão dos Santos; João Nolasco e Armando Basto; Herculano da Rocha, José Victor do Rosário e Amadeu Cordeiro; Frederico Nolasco, Fernando Marques, Lourenço Ritchie, Albertino Almeida e Luís Cunha.
Aos 23 minutos da abertura, Macau ganhava por 1-0, graças ao interior direito Fernando Marques, dum «penalty-bully». Seis minutos depois Albertino Almeida marcava o 2-0.

15.º Int Hóquei em campo 1955Esta foto (com má qualidade de impressão) da equipa de honra do Hóquei Clube de Macau foi tirada em Janeiro de 1955, aquando do «Interport» de hóquei em Campo com a selecção de Hong Kong (a equipa macaense venceu por 1-0). (2)

A 2.ª parte é inaugurada com um lindo remate de Dallas, avançado-centro de Hong Kong. Mas a reacção da equipa macaense não se fez esperar. Marcaram mais quatro golos, obtidos por Lourenço Ritchie (2 golos) e Fernando Marques (2 golos) (3)
O cometário do jornalista (3): “Na equipa de Macau houve elementos que não deram o máximo do seu contributo para uma exibição em cheio. Mas agradou-nos verificar que a nenhum faltou o necessário fôlego para acompanhar as jogadas até ao fim, resultado, certamente de preparação recebida anteriormente. Houve jogadas estéreis para a galeria («back-hand» e «first-times»), que além de desnecessárias, são por vezes prejudiciais, mas estes defeitos corrigem-se facilmente, estamos certos
(1) Ver: http://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/11/22/noticia-de-22-de-novembro-de-1956-hoquei-em-campo-e-os-jogos-olimpicos-de-melbourne/  
(2) Na foto além dos jogadores, aparecem Leonel dos Passos Borralho (de pé à esquerda da foto), membro da Direcção como suplente e o Dr. João dos Santos Ferreira (treinador da equipa) (de pé à direita da foto)
A Direcção do Hóquei Clube de Macau, nesse ano, era constituída por:
Presidente: Pedro Hyndman Lobo
Secretário: Joaquim Morais Alves
Tesoureiro: Herculano Silvânio da Rocha
Vogais: Eng.º Humberto Fernando Rodrigues e Frederico Nolasco da Silva
(3) Dados recolhidos de MACAU Boletim Informativo,n.ºs 52/53, 1955.

Pequeno opúsculo editado da Agência Geral do Ultramar (sem data, somente a indicação de “NEOGRAVURA – LISBOA – 5.000 ex”.; mas muito provavelmente do final de 50) (1), com o mesmo tamanho (16,5 cm x 12 cm) e impressão gráfica do opúsculo que publiquei em “FOLHETO DE PROPAGANDA – MACAU, PORTUGAL NO ORIENTE I e II”, impresso em 1964. (2)

Macau Terra de Maravilha AGU  CAPA CONTRACAPA

O desenho da capa é de Fausto Rocha
Na contra-capa , o mesmo mapa de Macau (colorido mas com cores diferentes) existente na contra-capa do opúsculo “MACAO – UNE VILLE PORTUGAISE” (impresso em francês) (3)

Macau Terra de Maravilha AGU  1.ª Página1.ª Página, com uma fotografia da Rua da Felicidade

Embora o título seja diferente, assim como as fotografias (24 fotos, todas a preto e branco), o conteúdo é igual ao publicado, em 1964 (2). Apresenta o mesmo número de páginas: 32 páginas.
Assim os pequenos capítulos subdivididos são iguais. Escolho outros parágrafos, iguais nas duas edições.
1 -” Macau – terra maravilhosa“
Em 1910, Macau tinha apenas 3,380 quilómetros quadrados. Por causa de aterros efectuados para a construção do seu porto exterior e devido à reunião de lodos trazidos pelos braços do delta passou a contar, em 1927, mais 2,042 quilómetros quadrados. E desde essa altura, mercê de novos trabalhos a superfície da cidade não deixa de aumentar.…” (p. 3)

Macau Terra de Maravilha AGU Av. Almeida Ribeiro I“Trecho da Avenida Almeida Ribeiro”

2 – “Uma cidade maravilhosa “ (a única alteração é no título, na edição de 1964 é: “Uma grande cidade“)
A cidade tem uma vida intensa vida nocturna. Talvez de noite ela, seja ainda mais bela, mais aliciante, mais sedutora e mais original. Uma volta de automóvel por Macau faz-se em vinte minutos. O carro deixa a Almeida Ribeiro e entra na rua Pereira Marques, de grande movimento de gente e muita vida comercial. Da banda da direita, onde fica o porto interior, há uma série de pontes-cais, onde se embarca para Hong Kong, para Coloane e para a Taipa….…” (p. 6)

Macau Terra de Maravilha AGU Av. Almeida Ribeiro II“Outro trecho da Avenida Almeida Ribeiro”

3 – “Um elevado nível de cultura” 
“Na rua de Felicidade, que é caracteristicamente china, moram as mais lindas cantadeiras dos banquetes. São raparigas profissionais, muito dignas dentro do seu conceito de moral oriental, que, sendo diferente do nosso se deve apenas considerar como diferente.,. ” (p. 12).
4 – “Um pouco de história“.
5 – “A cidade de Macau
Em especial, no período que vai de Outubro a Março, na segunda monção, a cidade goza de magníficos dias, iguais aos de Lisboa. De Abril a Setembro é o tempo característico dos tufões que assolam os mares da China. Maca, porém, é raras vezes directamente vítima dessas terríveis tempestades. (p. 22)

Macau Terra de Maravilha AGU Rua Comercial“Uma rua comercial”

6 – “A ilha da Taipa
A Taipa Pequena, bastante pinturesca, possui duas praias e é muito acidentada, com vales de densa vegetação. Possui cais acostável, é servida por boas estradas e ali se encontra instalada uma importante indústria de fogo de artifício…” (p. 23)
7 – ” A ilha de Coloane“
Perto de Ká Hó estão instalados seis pavilhões que abrigam os leprosos que aparecem na província e ali são internados. Trata-se de um estabelecimento hospitalar considerado, no género, dos melhores de todo o Extremo Oriente. Ainda mais acidentada que, a Taipa, a ilha de Coloane possui igualmente vales pitorescos e abundante vegetação……” (p. 24)
8 – “Meios de comunicação
A viagem demora, aproximadamente, mês e meio e o turista que, largado de Lisboa, queira visitar Macau tem amplo tempo para descansar e ver algumas das mais belas e populosas cidades do Oriente. Os navios desta carreira escalam, entre outros, os portos de Porto Said, Suez, Mormugão, Singapura, Hong Kong e Macau. Alternadamente visitam também Dili, capital do nosso Timor e Manila, nas Filipinas….…” (p. 26)
Os procedimentos para “a entrada e permanência de estrangeiros” na edição 1964 eram ligeiramente diferentes, “a entrada ou permanência de estrangeiros na Província de Macau”: os vistos de entrada tinham a validade de quinze dias para os eram tirados nas representações diplomáticas e sessenta dias para os que eram  emitidos  nas representações consulares,  enquanto que , em 1964,  eram, respectivamente, de vinte e noventa dias.
A indicação dos “passeios e locais, dignos de visitar”, é idêntica nas duas edições.

Macau Terra de Maravilha AGU Páginas CentraisNas páginas centrais onde estava a foto de Macau, tirada do Farol da Guia na edição de 1964 (1),  nesta edição, encontra-se duas fotos: à esquerda: “uma vista parcial da Zona norte da cidade de Macau, tirada da Penha” e à direita: “Jardim de Camões”.

As alterações mais significativas encontram-se (nesta edição) nas indicações de:
Hotéis com os seus preçários (onde subdivide em “Principais Hotéis Europeus” e Principais Hotéis Chineses”) Ainda listava o «Hotel Central» que já não figura na edição de 1964.
Restaurantes (só estão referenciados: Fat-Siu-Lau – comida europeia, com especialidade em pratos de bacalhau; Golden Gate – comida europeia; Ruby – comida europeia; Long Kei – comida chinesa; Golden City – comida chinesa).
Teatros, cinemas e outros divertimentos- idêntico nas duas edições.
Acontecimentos anuais: Macau Grand Prix, Concurso hípico (Outubro); Feira Popular (Agosto a Novembro); Feira dos Santos Populares (Junho); Exposição Filatélica (permanente).
Festas religiosas.
Horário dos vapores da carreira de Hong Kong (referência somente ao «Tak Shing», «Tai Loy» e «Fat-Shan»)
Consulados (endereços) da Grã-Bretanha, Holanda, Tailândia e Delegação Especial do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China.
Principais bancos (idênticos nas duas edições: Banco Nacional Ultramarino, Banco Tai Fung e Banco Lam Tong).
Agências de viagens (Agência Geral de Turismo, H. Nolasco & C.ª Lda., Companhia de Auto-carros «Fok Lai» e «Macao Air Transport»)
A indicação do Turismo, na edição de 1964:
Centro de Informação e Turismo – Palácio da Praia Grande – Tel. 2898
Nesta edição:
Secção de Propaganda e Turismo da Repartição Central dos Serviços Económicos.

(1) A descrição da ”entrada ou permanência de estrangeiros “, “hotéis “ e outros pequenos dados “turísticos”, leva-nos a pressupor que esta edição deverá ser do final da década de 50.

3 edições de MACAU AGUAs 3 edições referidas: 195? , 196? (em francês) e 1964

(2) http://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/03/21/folheto-propaganda-macau-portugal-no-oriente-i/
http://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/04/03/folheto-de-propaganda-macau-portugal-no-oriente-ii/
(3) http://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/04/17/folheto-propaganda-macao-une-ville-portugaise/

Estátua Jorge ÁlvaresMonumento a Jorge Álvares

 “Ergue-se em frente do palácio das Repartições, na Praia Grande a figura simpática e imponente de Jorge Álvares, o primeiro português que veio à China em 1513 e que faleceu em Taimão, perto de Cantão, em 1521.
Por iniciativa do ministro do Ultramar, almirante Manuel Maria Sarmento Rodrigues, foi-lhe levantado em Macau um monumento.” (1)
Foi mutilado nos acontecimentos de 1-2-3, a 3-12-1966, tendo sido posteriormente reparado.
Referências anteriores a Jorge Álvares e a esta estátua, ver em:
http://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jorge-alvares/

Colégio D. BoscoColégio de D. Bosco, onde os salesianos constroem a sua obra de aprendizado e de Fé.

 “Em 1951, o Colégio de D. Bosco passou para o edifício próprio, sito na Estrada Ferreira do Amaral, tendo o respectivo terreno sido concedido gratuitamente pelo Governo `Associação dos Padres Salesianos portugueses, em 29 de Janeiro de 1940, para a erecção dum colégio e Oratório Festivo, para rapazes europeus e macaenses. A primeira pedra da erecção do actual edifício deste Colégio foi benzina e lançada pelo bispo D. José da Costa Nunes, em 1941, antes de deixar esta diocese, por ter sido eleito Patriarca das Índias Orientais. Com o rompimento das hostilidades no Pacífico, em Dezembro desse ano, os trabalhos não puderam continuar, tendo o ferro e o cimento para a obra sido vendidos para compra de arroz.
A 6 de Fevereiro de 1949, o então bispo desta diocese, D. João de Deus Ramalho, benzeu a nova pedra angular do edifício.“(2)

Av. Marginal Porto InteriorAvenida marginal, em Macau

 Esta foto abrange parte da Avenida Marginal do Porto Interior (que ia desde as Oficinas Navais até ao Canídromo) da Barra até à Ponte cais n.º 16. Era o local (em 1958) onde atracava os vapores de menor calado da carreira Macau-Hong Kong (“Fat-Shan”, “Tai-Lóy”, “Tak-Shing”, «Lee Hon» e «Golden City»), os barcos (pequenos) de carga e descarga e os juncos e sampanas.
Foi o Governador Januário de Almeida, Visconde de S. Januário quem ordenou a execução da primeira fase do alargamento do aterro marginal do Porto Interior (a aterragem da Barra até ao Patane tinham sido iniciadas em 1868) e simultaneamente regularização do regime da corrente do rio. (3). As obras de aterragem ficaram concluídas em 1881.
Fotogravuras do livro de:
GONÇALVES, Manuel Henriques – Roteiro do Ultramar. Lisboa, 1958, 131 p.
(1) TEIXEIRA, P. Manuel – Toponímia de Macau, Volume II. Instituto Cultural de Macau, 1997, 560 p.
(2) Macau Boletim Informativo, 1956.
(3) GOMES, Luís Gonzaga – Efemérides da História de Macau. Jornal de Notícias, 1954, 267 p.

Livro de Manuel Henriques Gonçalves, “Roteiro do Ultramar (1), de 1958 (traz a indicação de 1959, na lombada) pretende ser, conforme afirma o autor “… uma síntese da história, da geografia, das raças, das produções, das possibilidades sociais e turísticas, dos meios de comunicação, numa palavra, – da vida desses pedaços de Portugal, que, como há oito séculos, continua a ser um povo de missão…..”

Roteiro do Ultramar CAPA

Não traz a indicação da editora mas muito possivelmente da Agência Geral do Ultramar, dentro da política de propaganda ultramarina.

Roteiro do Ultramar MAPA Macau 1958

Referência a Macau das páginas 111 a 120, com 10 páginas de fotogravuras no texto e um mapa de Macau cartonado intercalado extra-texto.

Roteiro do Ultramar Página Macau

De interesse (curiosidade), a ADENDA UTILITÁRIA, no fim do capítulo sobre Macau, proposto pelo autor (em 1958):
“Vias de comunicação exterior:
– Ligações marítimas diárias com Hong Kong; ligações com Lisboa
– Ligações terrestres com a China através da Porta do Cerco.
Elementos económicos:
Como grande porto franco e província constituída por áreas urbanas Macau é um grande entreposto de trânsito e importação. NO entanto, exportou em 1956: arroz (518 tons); artefactos de malha (22 tons); artigos de bambu (352 tons); artigos de couro (10 tons); artigos de toilette (1.000 tons).
Divisão administrativa:
Concelhos de Macau e Ilhas.
Hotéis:
Europeus e chineses: A Chao, Bela Vista(1), Cam Va (ou Kam Va *), Cantão, Central (2), Homo (*) Ian Ian, Kam Lang, Ruoc Chai (3), Macau(4), Riviera (5), San Hou (*), San Ka Pau, Hap Kei, Tai Peng, San San (*), Siong Hoi Seng Kai, Tong Fong, Ung Chao (*), Va Ton, Veng Va (*), Vo Cheong.
(sinalizo os cinco hotéis de 1.ª categoria e com (*) os hotéis de 2.ª categoria, frequentados sobretudo pela população chinesa)
Informações económicas e turísticas:
Repartição Técnica de Estatística – Macau
Informações gerais:
Agência Geral do Ultramar – Rua S. Pedro de Alcântara, 81 – Lisboa.”
 
Roteiro do Ultramar CAPA+CONTRACAPA

GONÇALVES, Manuel Henriques – Roteiro do Ultramar. Lisboa, 1958, 131 p. De 22 cm x 16 cm.

(1) O Hotel Bela Vista estava situado na Rua Comendador Kou Ho Neng . Disponha de 27 “arejados” quartos, com restaurante de comida europeia e uma esplanada (onde tocava durante os meses de Verão e Outono, todas as noites das 21.00 horas à meia-noite uma “moderna” orquestra de jazz). Os preços dos quartos, diárias em patacas, variavam de $10,00 para os “singles” «sem casa de banho» a $30.00, para os “doubles” «com casa de banho». Mais informações em:
http://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/hotel-bela-vista/
(2) O Hotel Central estava situado na Avenida Almeida Ribeiro. No 6.º andar, um «Salão de Dança», todas as noites das 21.00 às 3.00 horas da madrugada tocava uma orquestra filipina. Os preços variavam, diárias em patacas, de $ 7,50 para os “singles” «sem casa de banho» a $14.00 para os “doubles” «com casa de banho».Mais informações, ver em:
http://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/hotel-centralpresident-hotelgrand-central-hotel/
(3) Deve ter sido erro de impressão – O Hotel era o Kuoc Chai (Grande Hotel) situado ao fundo da Avenida Almeida Ribeiro, junto das pontes de desembarque do porto interior, onde atracavam os barcos da carreira Macau-Hong Kong. Tinha 84 quartos. O «Salão de Dança», que estava 1.º andar estava aberto todas as noites das 21.00 às 3.00 horas da madrugada. As diárias, em patacas, dos “singles” «sem casa de banho» custavam $10,00 e os “doubles” «todos com casa de banho», $25,00. Para mais informações, ver:
http://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/03/07/noticia-de-7-de-marco-de-1941-grande-hotel-kuok-chai/
(4) Hotel Macau, estava na Travessa das Virtudes e era dos hotéis de 1.ª categoria, o mais económico. Tinha 62 quartos com os “singles” «sem quarto de banho» a custar $ 5,00 patacas diárias e os “doubles” «com quarto de banho e ar condicionado» a $ 14,00 diárias.
(5) Hotel Riviera estava situado no cruzamento da Rua da Praia Grande com a Avenida Almeida Ribeiro era o hotel preferido pelos turistas estrangeiros. Dispunha de 22 «amplos e arejados quartos», com as diárias desde os “singles” «sem casa de banho» por$15,00 patacas até aos “doubles” «com casa de banho», por $30,00 patacas. Para mais informações, ver:
http://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/hotel-riviera/

Ilustração Portugueza1908 Macau Cidade de Prazeres TÍTULO

Última parte, a “5.ª”, da leitura do artigo “Macau Cidade de Prazeres” (1) sem indicação de autor, publicado na “Ilustração Portugueza”, 1908, na página 808.

Ilustração Portugueza1908 Macau Cidade de Prazeres Transporte de passageiro“O vapor que faz o serviço de transporte de passageiros e mercadorias entre Macau e Hong-Kong

 Após uma digressão pelas casas de jogo, d´amor, d´embriaguez, traz-se a impressão cançada do goso, mas olhando n´um dealbar verão a cidade onde as nhonhas de lindas pernas, com seus trajes de dó ou com seus vestidos leves, vão passar dentro em pouco, reparando n´esses bairros adormecidos, sob a luz doce do sol e comparando-a com essa China do luxo e da mizeria onde tantos milhões de homens luctam, sente-se bem que Macau foi feito para paraizo dos mandarins, dos ricos e dos piratas e logo nos vem á mente que com esse caminho de ferro de Cantão até ali, que já temos licença para fazer, a cidade seria definitivamente o logar de regalo de todo esse Extremo Oriente se dentro de gosos, que abafa ou se regela na sua atmosfera e que ali, em Macau, encontraria a sua estancia de prazeres, fazendo correr o ouro que seria applicado em torar mais deslumbrante a linda terra das nhonhas e das delicias.

Ilustração Portugueza1908 Macau Cidade de Prazeres Saída da Igreja“À sahida da missa”

 A macaísta, que mettida nos seus trajos de dó tem alguma cousa das nossas antigas damas embiocadas, talvez então se desse mais à vida da rua, talvez mergulhasse n´esse banho de luxo e perdendo a característica do trajar iria docemente, sem dar por isso, deixando o recolhimento em que vive.

Macau é, pois, o logar onde se folga onde os piratas – que os há ainda – veem deixar o seu ouro, com os riscos de serem apanhados pela polícia vigilante. Mas é tal o prazer que todo o chinez tem em se demorar na cidade que eles, foragidos às leis, correm para o jogo, para o ópio e para as lindas chinesas, até que um dia lá vão amarrados pelos rabichos, levados por uma escolta para a fortaleza do Monte até serem entregues às suas auctoridades, até que as suas cabeças sejam degoladas em terras do Celeste Império e expostas nas ruas gotejando sangue.

Ilustração Portugueza1908 Macau Cidade de Prazeres Pagode de Monh Há“Pagode de Mong há” (2)

 Apezar de tudo o pirata vem e na hora da morte não se lembra decerto das suas façanhas, mas sim dos olhos oblíquos de alguma linda chinesinha da rua da Felicidade, d´essa extranha cidade de prazeres.

(1) http://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/02/01/leitura-macau-cidade-de-prazeres-i-anno-novo-china-1908/
http://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/02/02/leitura-macau-cidade-de-prazeres-ii-o-jogo-do-fantan-1908/
http://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/02/16/leitura-macau-cidade-de-prazeres-iii-
(2) Templo de Kun Iam (Kun Iam Tong) em Mong Há, construído em 1627 (sétimo ano do reinado do imperador Tian Qi / 天啓 (1620-1627), o templo mais antigo de Macau)- Ver em:
http://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/03/26/postais-macau-artistico-vi/

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